GONÇALO FURTADO . BLOG
writings on architecture, design and cultural studies (incl. oporto school, portuguese architecture, critical project, drawings and photografphy, cedric price, gordon pask, and other stuff...)
8/26/26
TEMAS CONTEMPORÂNEOS DA ARQUITECTURA EM OBRA CONTERRÂNEA
TEMAS CONTEMPORÂNEOS DA ARQUITECTURA EM OBRA CONTERRÂNEA
Gonçalo Furtado (Professor Associado da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto)
0.
O meu primeiro contacto com o Jorge Bártolo ocorreu há 30 anos no contexto de uma viagem, à India, com amiga comum. Viagem inesquecível, em que não só constatámos provirmos ambos da Figueira da Foz, como a paixão comum pela arte, arquitectura, e demais. Volvido décadas sobre tal inesquecível viagem e subsequentes tempos de reencontro sempre agradáveis (seja como nosso vizinho da Costa de Lavos, no Porto depois de ser pai da Constança com então minha doutoranda, ou presentemente na Figueira da Foz), não posso senão aceder á escrita deste prefácio em 24h.
i.
Jorge Bártolo é conhecido pelo seu porte alto e atlético, mas sobretudo pela amabilidade e sorriso que nos fica. Nasceu num grande ano, 1968 (risos). Frequentou estudos secundários já na área da construção civil, e rumou a Coimbra contratado pela Académica, tendo frequentado um bacharelato em artes (1988-1991). Esteve depois durante 18 meses por obrigatoriedade na tropa, in casu na força aérea de Montereal. E regressou depois à Arca, a Escola superiora de tecnologias artísticas de Coimbra, para ingressar na aí recentemente aberta licenciatura em arquitectura (1991-1995). Foi pois, neste ambiente que se lhe incutiu um entendimento de projecto enquanto prática artística, ficando para sempre marcado pela personalidade tanto de artistas - como Armando Azevedo, João Dixo ou António Olaio - como de arquitectos, como Pedreirinho. Confidencia-me hoje de que, para si, “o curso de arte foi até mais influente que o de arquitectura”. (sic, 24.8.2026)
Por outro lado e de não menos importância, sobressai ter estado sempre próximo à prática desportista. Começou pelo basket onde se consagrou por 4 vezes campeão nacional, seja como juvenil, júnior ou sénior. De resto, foi essa a razão porque se transladou inicialmente para Coimbra, i.e. pelo contacto com a predita Académica. Mais sendo que, ainda hoje, o desporto é algo que integra o seu quotidiano. Dedicando-se agora já a desportos individuais, como o surf ou cross fitting, ainda que se tenha interessado pelo ténis e sobretudo pela vela.
(Façamos aqui uma pausa, para aproveitar para avançar que – em paralelo com a arte – também o desporto marcou a sua sensibilidade/prática do projecto. No sentido de lhe aportar uma consciencialização do corpo e dos movimento do corpo no espaço. Sendo que tal é de resto, precisamente um dos aspectos/temas que sobressairá na voz do texto de 18 páginas apontou, em 2025 aquando do início do processo para este primeiro livro. Mas a tal texto prometemos pois voltaremos mais adiante).
Jorge Bártolo, estagiou com Carlos Santos, arquitecto responsável (em conjunto com Canha) pela abertura de uma segunda escola privada de ensino artístico em Coimbra – a Vasco da Gama, que permaneceria activa alguns anos no distrito. Estagiou ainda na Lousã, desta com António Maria Costa.
Certo é que, por volta de 2000, veio para a Figueira da Foz, onde naturalmente iniciaria a sua actividade sobretudo com projectos de moradia. Ainda que convenha avançar que, couriosamente, não deixou de desenvolver um par de projectos para equipamentos desportivos, que marcam a paisagem figueirense. A saber: primeiro, com data de 2008-2011 , o complexo desportivo do Tennis club, compreendendo 2 campos de ténis, 2 campos de paddel, e o edifício de ginásio e restauração; (Um projecto integrado no Programa Polis XXI – em parceira para a regeneração urbana da zona ribeirinha da Figueira da Foz, perfazendo 4120 m2. E segundo, com data de 2014-2016, o edifício para o Ginásio multidesportos e fitness - Point Lda - na Figueira da Foz, com 40 m2 e orçamentado em 260 mil(?) Euro.
ii.
A ideia do presente livro surgiu por interpelação de José Manuel das Neves, que então transitava da editora Consigo (?) para a Caleidosópio.
O livro contem e parte de um dos últimos projectos desenvolvidos pelo arquitecto figueirense. Sendo que tanto o gabinete como a obra encontram-se sediados na Figueira da Foz.
O gabinete, mais concretamente, sedia-se numa das praças histórica da urbe, conhecida como “praça nova” ou “a dos táxis”, próxima da outro “praça velha” ou ancestral do “pelourinho”. Como sabido, a Figueira constitui uma cidade litoral, aprazível e turística. Cidade que possui interessante historial urbano (tendo se autonomizado de Tavarede e Buarcos, etc), razão porque no passado lhe dediquei alguns textos na imprensa local (vd. Jornal “O Figueirense” ou Revista “Óbvia”). Bem como se dota de algumas obras relevantes, históricas - como o Forte (onde desembarcaram os ingleses aquando das invasões napoleónicas), a Casa do Paço/Alfândega com os seus azulejos holandeses, a Câmara Municipal, o Casino Oceano, o antigo Teatro ou o Touril do século XIX. Bem como muitas obras de arte nova, pontuadas pela rua da República, pelo casco histórico ou pelo moderno “bairro novo”. E ainda outras mais modernistas, ou mesmo modernas deste nosso findo século XX, como as de autoria de arquitectos de renome como Raúl Lino, Pessoa (planeamento), ou o Isaías Cardoso. (Também sobre a obra do último, porque figueirense, redigi no passado investigação - intitulada “O canto do cisne” - tendo nutrido interesse a ponto de ter promovido - como o Isaías comenta em entrevista integrada em dissertação académica – a futura integração do seu arquivo no Centro de Documentação da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto que era à data dirigido por Manuel Mendes).
Já retomando o Jorge Bártolo, colega sócio nº8024 da Ordem dos arquitectos, tem este contribuído localmente com pensamento e projecto. Desde logo, na sua bio (sendo de recordar a sua já mencionada proximidade ao mar e desportos náuticos) surge que: “enquanto consultor, elabora, participa e apresenta estratégias de desenvolvimento portuário e de cidade. Nomeadamente na elaboração de pareceres para a revisão do Plano de Urbanização da Figueira da Foz. Numa estratégia global e de promoção das valências da cidade, apresenta a ideia de uma ‘Vila marítima’ na margem do sul do rio Mondego, o ‘corredor verde’ e as ‘Novas centralidades’. Mais tarde desenvolveu e participou com o conceito de “Figueira, cidade de eventos - Outra visão para a cidade” no Fórum Figueira 2013.
Sendo, em termos de planeamento urbanístico, da sua autoria, mais de salientar com data de 2005-2011, um Plano de pormenor do pinhal santíssimo. Plano urbanístico em Famalicão/Alcobaça; compreendendo 221 000 m2, o qual foi orientado em princípios de sustentabilidade. (Compreende 88.025 m2 de construção, e 400 unidades de habitação multi e unifamiliar, bem como edifícios para lar, clínica, edifício comercial e equipamentos desportivos).
Tendo em conta o antes referido, parece-me ainda pertinente fazer referência à sua actividade na temática projectual de “Portos e waterfronts”. Tema não só próximo ao autor e suas actividades desportivas náuticas, como á cidade de onde emana a sua prática, bem como à actividade de consultadoria com que se viu envolvido - , interessando elencar aproximadamente meia dúzia de casos.
Assim, em primeiro lugar seria de referir com data de 2005, o seu projecto de edifício para armazenamento de produto - o edifício logístico Yilport holding inc-Liscont SA - no porto da Figueira da Foz, com 2400m2 e orçamento 1.25 milhões de euro. Em segundo lugar e com data de 2006, o edifício polivalente, multiusos para administração portuária, alfândega e operadores no Porto comercial da Figueira da Foz, perfazendo 1400m2 e com orçamento de 3,45 milhões de euro. Em terceiro lugar e datado de 2007, o Bar skyper, constituindo num contentor de metal e vidro na Marina da Figueira da Foz, com 40 m2 e orçado em 140 mil euro. Em quarto lugar e com data de 2008, a Frente ribeirinha da Figueira da Foz - (integrado no Programa Polis XXI) - como Plano urbanístico da regeneração da frente ribeirinha na envolvente do Forte de Santa Catarina. Uma parceria para a regeneração urbana da zona ribeirinha da Figueira da Foz. Compreendendo 140 m2 (?), e um desenho de espaço público contemplando um edifício multiusos e de congressos; complexo desportivo do Tennis Club da Figueira da Foz, o plano de água para a Marina, um Museu, comércio e serviços. Em quinto lugar e data de 2011, o edifício de recepção da Marina (para a Administração do Porto da Figueira da Foz), com 516 m2 e orçamento de 950.300 euro. E, por fim e com data de 2012, o projecto de restaurante (igualmente para a Administração do Porto da Figueira da Foz SA) e para a Marina da Figueira da Foz, com 315 m2.
iii.
Mais tem Jorge Bártolo contribuído local e disciplinarmente obviamente também com o universo de outras obra de escala mais arquitectónica. Como intróito cumpre recordar que as suas obras na Figueira da Foz vão da habitação a equipamentos, (incluindo e.g. a sua inicial intervenção no Touril da Figueira da Foz, os Bombeiros Voluntários, o Ginásio no Campismo Municipal etc). Mas que a tal acrescem obras ou projectos para cidades maiores, como o Porto e Lisboa a nível nacional, ou incluso para países estrangeiros, como por exemplo para o Dubai.
Assim, estando ausente o presente livro da considerável lista de projectos que realizou, não se deixará de aproveitar a oportunidade para partilhar, ainda que de modo resumido, a sequência da suas criações projectuais. Dessa forma, simultaneamente, permitindo a percepção da intensidade e constância da sua actividade, bem como considerável volume atento a província envolvente que beneficia.
Ora, logo em termos da mais corrente encomenda “de habitação”, cumprirá distinguir 3 tipologias: a da moradia unifamiliar, a multifamiliar, e o design de interiores; elencando-se cerca de duas dezenas de itens.
Assim, no campo da habitação unifamiliar, interessa fazer referência a um conjunto de uma dezena de projectos. Assim, em primeiro lugar e de 1999, à moradia Carlos Oliveira na Rua da Clemência em Coimbra, com 340 m2. Em segundo lugar e data de 2001-2003, a moradia João António Oliveira na Figueira da Foz, com 410m2 e orçamento de 350 mil euro. Em terceiro lugar e data de 2002-2003, a moradia Paulo Carvalhal Reis na Figueira da Foz, com 310 m2. Em quarto lugar a moradia Paulo Reis, na Figueira da Foz, com 310 m2. Em quinto lugar e data de 2003-2005, a moradia Rui Costa construída na Figueira da Foz, com 400 m2 e orçamento de 250 mil de euro. Em sexto lugar e data de 2008-2010, a moradia António Cação no Sobradinho da Alfeição/Loulé, com 324 m2 e orçamento de 630 mil euro. Em sétimo lugar, o projecto de remodelação de edifício para turismo rural, na Quinta Santo António do Cardal / Montemor o velho, com 492 m2. Em oitavo lugar e data de 2011-2014, a moradia José Mário Costa com 438 m2. Em nono nono lugar, a moradia Gil Mata em Vila do Conde/Porto, com 400m2 e orçamento de 800 mil euro. Em décimo lugar e data de 2019-2020, a moradia Gonçalo Segur na Figueira da Foz. E em décimo primeiro lugar, a moradia Paulo Luís para Vila Verde/Figueira da Foz.
No campo multi-familiar interessa fazer referência a um conjunto de 3 projectos. Assim, em primeiro lugar e data de 2002-2005, referir o projecto de remodelação de edifícios de habitação multifamiliar e comércio existente - edifícios Nuno Monteiro na Rua Miguel Bombarda da Figueira da Foz, com 1230m2. Em segundo lugar e data de 2009-2011, o projecto de remodelação edifício de remodelação e comércio de edifício Fernando Caldeira Marques, na Rua Miguel Bombarda da Figueira da Foz, com 520 m2. E em terceiro lugar e data de 2010-2012, o projecto de remodelação de edifício Mara Eugenia Boren, na Travessa nova da Figueira da Foz, edifício, com 324 m2.
E no campo da remodelação de apartamentos e interiores, far-se-ia referência a mais 4 projectos. Em primeiro lugar e data de 2002-2003, o projecto de remodelação de apartamento António Redondo, em Buarcos/Figueira da Foz, com 140 m2. Em segundo lugar e data de 2002-2003, o projecto de remodelação de apartamento António Moura, na Figueira da Foz, com 170 m2. Em terceiro lugar, o projecto de remodelação de apartamento Susana Soares, no Barreiro, com 170m2. E em quarto lugar, o projecto de remodelação de apartamento Rosa Gravato, no Barreiro, com 170m2.
Agora no que tange ao domínio da indústria cumpre elencar, mais cerca de uma dezena de projectos.
Assim, em primeiro lugar e data de 2003 far-se-ia referência a Nave de transferência de carga; projecto de edifício armazém da Fábrica de vidro Saint Gobain Mondego SA, com 2800 m2 e orçamento de 900 mil euro. Em segundo lugar e data de 2004, o projecto de remodelação de edifício da Nave forno 1 e da Nave de forno frio, da Fábrica de vidro Saint Gobain Mondego SA, com 2800 m2 e orçamento de 2 milhões e 230 mil euro. Em terceiro lugar e data de 2006, far-se-ia referência a Projecto de remodelação para sala de inovação e marketing, na Fábrica de vidro Saint Gobain Mondego SA, com 45 m2 e orçamento de 125 mil euro. Em terceiro lugar e data de 2006, referir a Portaria e em 2007 as Salas de formação para a mesma fábrica, com aproximadamente 135 m2. Em quarto lugar e data de 2001, o projecto de remodelação e ampliação de edifício para sala de desenho, refeitórios e balneários da fábrica Verallia SA. Em quinto lugar e data de 2017-2018, a renovação de escritórios e áreas louge da fábrica de papel The navigator company em Cacia/Aveiro, com 420 m2 e orçamento de 540 mil euro. Em sexto lugar e data de 2018-2019, edifício logístico para empresa de exportação Sorefoz, na zona industrial da Figueira da Foz, com 5200 m2 e orçamento de 3.62 milhões de euro. Em sétimo lugar e data de 2023-2025, o edifício de escritórios e nave industrial ECEP, na zona industrial de Catanhede.
Em termos de outros equipamentos sociais da autoria do Jorge Bártolo, incluiria - antes do Athis senior care - em 2010-15 o Equipamento social da Freguesia de Vila Verde; Bem como como data de 2010-2015, o edifício para Centro de dia e serviço de apoio domiciliário em Vila verde com 900 m2 e orçamento de 1.2 milhões de euro.
E, em termos da “diversidade” de outros equipamentos, distinguiria mais outra meia dúzia de casos. Em primeiro lugar e data de 2011, o Edifício armazém e escritório Biocombo Lda. Em segundo lugar e data de 2010, o edifício para o Centro de interpretação florestal e risco de incêndio na Serra da Boa viagem, (denominado por Casa da Vela), para a Autoridade Florestal Nacional; Projecto este com 200m2 e 280 milhares de euro que foi financiado pelo eagrants. Em terceiro lugar e data de 2004, a já mencionada remodelação e requalificação do Coliseu e praça de touros Figueirense, com 3000 m2 e orçamento de 780 mil euro. Em quarto lugar 2003, o edifício para a empresa de design Criatimagem no Louriçal/Pombal, com 4062m2 e orçamento de 1.2 milhões de euro. E em quinto lugar e data de 2001, o projecto de remodelação e requalificação do Quartel dos Bombeiros voluntários da Figueira da Foz, com 4.062m2 e orçamento de 1,2 milhões de euro.
Na presente data, comenta-me o Jorge Bártolo estar especificamente focado na rehabilitação de 4 milhões de uma casa do património moderno (da autoria do arquitecto Varela sobre que a editora Caleidoscópio já dedicou publicação de livro), em Lisboa.
E também quanto aos seus clientes, tem esse sido diversificados, incluindo como vimos a título meramente exemplificativo a The Navigator Company, a Saint Gobain Modego SA, a Administração dos Portos de Aveiro e Figueira da Foz, a Autoridade Florestal Nacional, etc.
iv.
O edifício do Atthis senior care que se encontra incluído no presente livro, consiste numa estrutura de residência para cuidados continuados, situada no primeiro número da Rua da Lapa, na Figueira da Foz.
Sobre a pertinência do programa, cumpriria tão só remeter para a demografia nacional, que parece apontar para um natural envelhecimento, mas simultaneamente para um aumento da quantidade de idosos em situação de isolamento e necessidade de apoio.
Ora, justificado o projecto, este começou por volta de 2009/2010. A obra teve início em 2017, tendo sido delegada a empresa de construção Cavaleiros. E os trabalhos de construção culminaram findo em 2024, com um orçamento de mais de 4 milhões de euro.
A estrutura residencial, diferencia-se por possuir uma clara integração urbana, bem como vista para as praias a sul do mondego, e obviamente pelo seu desejo de providenciar um acompanhamento atento à qualidade de vida e de saúde dos seus residentes seniores. Possuindo 37 quartos, para limite de albergue de 75 utentes.
O projecto tem 2736 m2, sendo a área bruta construída de 3400m2 e a área de implantação de 683m2.
Destaca-se pela sua inserção urbana em “U”, possuindo 3 volumes, com cércea máxima de 13,6 metros (variando esta até 4 pisos acima da cota de soleira, e dois enterrados). Sinteticamente, o edificado consiste numa língua em torno de casa pré-existente (que no futuro se prevê vir a ser integrada mediante futuro projecto de ampliação). Edifício este que não deixa de atender à escala da casa e paisagem, apesar da área maciça que requer.
Exteriormente, o edifício afirma uma linguagem de minimalismo brutalista, com volumes sóbrios em tons de creme-terra e envidraçados, sem dispersões em decorações supérfluas antes primando pelo conforto providenciado pela texturas de materiais e ambiências claras e luminosas.
Interiormente, no que tange à organização funcional, pode-se sintetizar que no volume junto à estrada de acesso, posiciona-se a administração, o multiusos e a piscina. No seguinte volume (i.e. segunda ala do U mais afastada da rua), posiciona-se a bateria de quartos (dispondo 10 quartos em cada cada um dos 3 pisos), bem como o refeitório, balneários e lavandaria. No último volume (i.e. uma última ala do U que retorna ao contacto com a rua) posiciona-se a logística, a sala técnica, e (para além de mais 6 quartos exclusivos duplos, que se dispõem 2 por cada piso) uma garagem
Atenda-se como em determinado momento do seu texto, diz o autor autor/projectista. “No caso do projecto do edifício [em apreço…] sobressai a necessidade de (acertar na dinâmica dos espaços e da desejada apropriação e satisfação por parte do habitantes”. Mais à frente, de que: “queríamos ouvir o espaço que os corpos reclamam, desejávamos criar espaços que provoquem ‘novos corpos’ e ‘novas acções’ (…)”. E por fim, a respeito da inclusão/apropriação, de que “O projecto abre-se e deixa que o edifício se torne plural, composto por camadas de uso e memórias”. “O edifício finalmente, deixa de ser o que foi pensado, para tornar o que é vivido”. “Caminham onde não há caminho, sentam-se onde não há bancos”.
De facto, constata-se que Jorge Bártolo procurou responder à ambição de um ambiente confortável, com disposição de um claro programa funcional e de múltiplas zonas de actividade - dos quartos, refeitório e gabinetes médicos ou de enfermaria e fisioterapia, ao refeitório, piscina, espaço de snozen (estimulação cognitiva), biblioteca, auditório, e demais espaços de recepção, circulação, estar e de usufruto exterior.
Curioso, é o facto do arquitecto se ter candidatado há par de anos a um Concurso Isaías Cardoso (2025), promovido pela Camara Municipal da Figueira da Foz. Desconhece-se o resultado. Mas mediante cópia do documento subemetido – (16 páginas com memória descritiva, nota curricular do autor, declaração semestral da Ordem profissional (AO) e autorização de utilização) - podemos ficar a conhecer mais uma série de descrições técnicas de interesse. Neste conspecto, cumpre referir-se que, por exemplo, é alegada a atenção de um design preocupado com a sustentabilidade. (Por exemplo usando lajetas com resíduos de construção e demolição, bem peças de design exclusivo para as lages de grande formato de pavimento exterior em “high performace concret”). Para além de claro, ser alegada a ambição de atenção à qualidade do ar, sua renovação e climatização. (recorde-se a necessidade de debelar/evitar infeções). Mais procurando minimizar a pegada ecológica mediante um isolamento cuidado, calor com recurso a caldeira de biomassa, e aproveitamento de águas pluviais.
v.
O presente livro publica a obra especifica do Atthis senior care, a qual detalhe ao longo da centena de páginas do livro – Uma estrutura residencial para pessoas idosas.
Mas a estrutura do livro compreende, (para além da ficha editorial e presente texto de prefácio), texto de natureza mais ensaística da autoria do próprio projectista, numa dimensão de aproximadamente duas dezenas de páginas; intercalada com ilustrações desenhadas pelo próprio (nestas constatando-se um previlégio das vistas interiores das varandas, do pátio e dos alçados.
Ora, desde logo é de reconhecer que as ilustrações, ao serem feitas pelo próprio, nos permitem aceder ao traço a linha fina que caracteriza também o esquiçar do autor e tempo lhe contemporâneo. E, já no que tange à prolifera ilustração por fotografia, congratular terem sido incluídas tanto fotografias “durante a intervenção” como da obra final (já com utilização dos utentes, o que não deixa de ser interessantemente explícito). Neste conspecto, mais sendo de reconhecer a impressionante qualidade advinda do registo pelo conhecido fotógrafo de arquitectura Fernando Guerra. Num caleidoscópio de olhar gerais e particulares, a várias horas do dia, em silêncio ou habitados. Caleidoscópio que o Jorge recorda ter surgido de uma visita do fotógrafo que ficou pautada pela sua tranquilidade e profissionalismo. Iniciada ás 9 da manhã e só interrompida para almoço no “Grato Preto”, obteve 2 centenas de tomas/registos, acompanhado por máquina a tiracolo e geralmente sem recurso a tripé.
Acresce referenciar a integração, em menor mas suficiente quantidade, dos habituais desenhos técnicos de arquitectura – plantas, cortes e detalhe/pormenorização. E no final, uma ficha técnica projecto, e bio acompanhada de fotografia.
vi.
Para finalizar este texto/prefácio, gostaríamos agora então de convidar os leitores a uma incursão no já texto integrado no livro pelo projectista aqui autor.
Saliente-se que o título do livro e desse texto ser “Lugar da reflexão” – expressando uma necessidade pessoal do próprio Jorge Bártolo de encontrar-se dentro da sua actividade projectual. A montante, o próprio leitor fica imerso das inquietações do autor a respeito da natureza do projecto. Se o texto surge a pretexto da obra específica presente no livro (que nos é depois dada a usufruir), parece pretender-se ir para lá da publicação apenas de uma individual obra. (Tal de resto justificou incluso que o autor tenha preterido do título que inicialmente se previra, optando pela sua alteração para algo mais geral, senão misteriosamente vago).
E se o título do livro pode remeter para a ideia de um ambiente espacial convidativo ao pensamento e liberdade, o certo é que não deixa de o ser, como adiante veremos.
Recorde-se em primeiro lugar e como já referido atrás, o facto do Jorge Bártolo nos partilhar considerações advindas da sua proximidade à prática desportista, mais estabelecendo analogias da relação corpo-espaço entre o domínio da arquitectura e a prática física do desporto. Partilhou-me incluso tout court que a crença de que a educação desportiva de infância, o veio a influencia mais tardiamente no processo criativo. E dúvidas não ficando a restar que, múltiplas relações podem ser estabelecidas entre o desporto e a arquitectura. Desde logo porque em ambos se trabalha com a espacialidade, e se lida com o espaço.
Mas também não deixa de corajosamente nos confidenciar o Jorge Bártolo o facto de por vezes sentir se ter de relacionar de forma “rebelde” com tal dialética; Ao limite de questionar se o desporto não lhe teria imposto demasiada necessidade de “rapidez de decisão” (No treino/jogo sempre há, ao que diz, uma gestão das distâncias, espacialidades e pavilhões). Fazendo tal, parte intrínseca do jogo.
Tais analogias surgem-nos como interessantemente inquietantes. Mas interessava-me acabar aprofundando o que anteriormente reconheci. O facto do título escolhido pelo autor, parecer consistir num convite a um pensamento e espacialidade mais livre.
De facto, parece-me que podemos intuir por muitos excertos do texto do autor, em que disseca os propósitos do seu inconsciente projectual. Frases que surgem marcadas por correntes que vão da última vintena do século XX ao presente - I.e. da fenomenologia (que explicitamente refere), ao pósestruturalismo da descontrução (vd. e.g. de Tschumi, de que diz ser leitor), presente numa ideia de espacialidade como promessa do “evento, etc. E sobretudo à materialidade de atmosferas arquitectónicas (vd. eg Peter Zumthor) só espacialmente apropriáveis multi-sensorialmente. (Confidenciando-nos ainda mais influências como a de Hall, que como sabido versa o campo da proxémica, e em estrito senso, a negociação de distâncias entre corpos e orientação no espaço). Pelo meio chegando mesmo a aludir-nos ainda a ideias (muito cara para o meu herói Cedric Price) de que o edifício deve permanecer no seu estrito tempo de vida.
Permitindo-nos pois uma pausa, com vista a percorrer o texto do Jorge Bártolo, salientando as ideias/excertos principais que nos aprecem perseguidas/consciencializáveis pelo autor/projectista.
Assim, atenda-se como no intróito é feita referência ao propósito já aludido de uma “reflexão sobre o pensamento projectual (…) inquietações e (…) memórias presentes no momento de desenhar (…) e na “consciência da necessidade de incorporar vivências”. Do primeiro capítulo, se salientando um reconhecimento da arquitectura como “construção intelectual”; “Entre a materialidade do espaço e a imaterialidade da experiência”. Mais o referindo - (a pretexto do projecto em apreço) - o referindo como “um caminho onde se questionava o próprio programa”. Acrescentando depois que “o espaço, evento e pensamento são elementos inseparáveis”; Um exercício expandindo as possibilidades do espaço construído”.
No segundo capítulo, é enfatizado que “partimos do princípio que não há arquitectura sem evento”; bem como aludidas “estruturas (…) para acolher o imprevisto”. No terceiro capítulo, defendido se “compreender o corpo na sua multiplicidade (…) não um corpo idealizado, mas corpos reais, múltiplos, diversos, em ritmos próprios, com vivências e histórias inscritas de vida”. E no quarto capítulo, de que “habitar e mais do que ocupar um lugar; é inscrever-se nele”.
Já no quinto capítulo, expressada consciência de que a “a pertença seria uma coabitação sensível entre corpos, objectos e atmosfera (…). Os utentes desviam, inventam, subvertem (…). O edifício pode ser um texto aberto (…). Ao reconhecer o valor do desvio, a arquitectura aproxima-se de uma ética da imperfeição.” Mais acrescendo que “pensando a arquitectura não como um conjunto de formas, mas como um campo sensível onde os materiais desempenham um papel fundamental na construção da presença (…); todos esses produzem atmosferas”. Defendendo ainda que “a arquitectura (…) deve permitir (…); o edifício como corpo vivo, sujeito a desgaste (…), à transformação”. (Tal “postura material conecta-se à fenomenologia, onde o mundo é aquilo que o corpo sente (…)”).
Por fim, no sétimo capítulo, recorda-nos à semelhança de Pallasma (vd. “Os olhos da pele”), outros aspectos sensoriais presentes na experiência, designadamente a particularidade do som/acústica, etc. Terminando no oitavo capítulo, com o reconhecimento do “limite e fronteira” como “tema sempre presente no acto de desenhar”; deixando emersa uma indagação a final: “Estava a maneira como o corpo atravessa o espaço codificada por convenções sociais?”.
8/23/26
"The place of reflection"
Lançamento do livro "The place of reflection" de Jorge Bártolo
(Biblioteça Municipal - Museu, Giguiera da Foz, 25 Setembro 2026).
Por Manuel Silva (Professor Catedrático da Universidade de Coimbra) e Gonçalo Furtado (Professor Associado da Universidade do Porto)
7/24/26
Towards an evolving architectural aesthetics: today’s techno-scientific interests and the earlier enabling of the emergent
Gonçalo Furtado, “Towards an evolving architectural aesthetics II: Today’s techno-scientific interests and the earlier enabling of the emergent)”. In: Rui Póvoas e Gonçalo Furtado (eds.), Contemporary architectural challenges, Porto. FAUP, 2008, p.15-18). [#1]
In the 1990s, the establishment of a new techno-cultural order - known as the Digital or Post-Post-Modern Society (and which beginnings lay far back in WWII) - occurred. Today we clearly live in it and it seems necessary to point to an advancement towards evolving architectural aesthetics which acknowledge complexity and the role of time and change.
Much of the recent architecture and its practice has been fully based on and affected by computer and communication technologies, which have enabled the virtual expansion of physical-urban space, the responsiveness of architectural buildings, and the development of new design methodologies that benefit from the multiplicity enabled by parametric-genetic design, Cad-Cams, etc. Progressively, architecture's technological interests, also led a few architects to advance its interest in new technologies, towards experimentation in such domains as the biotechnological and the nanotechnological, expanding new ways of inhabiting. (For an overview of the formers I suggest, for instance, a look at texts I produced during the last years, and of the later a focus of the work of Neil - under which supervision my most recent research was conducted in London. [#2] In addition and out of curiosity, it is interesting and I also would like to highlight, how my idol - Cedric Price - pointed out that his office's
interest, in the pursuit of an anticipatory design, included in 1992 smart materials, fuzzy logic and bio- electronics"). [#3]
To some extent, architecture's aforementioned technological interests are linked to its desire for multiplicity and a more evolving environment. It parallels the privileging of a new understanding of architecture by many contemporary professionals. Manuel Gauza, for instance, makes reference to "the new understanding of Architecture, that speaks more about processes than occurrences". [#4] And, in opposition to the 'neo-rationalist schools', Gauza's "[...] way of understanding architecture is more dynamic in all respects, it's evolutionary and transformable. That is to say [.] it potentializes processes that could develop it in new ways... evolutionary ways, combinatorial, or transformable [...]. Architecture is shifting in direction to a new dynamic logic, that speaks about unstable, unending, undetermined, informal, not formally predetermined, processes". [#5]
In this connection, it is also noticeable that recent Architecture has clearly fuelled a particular interest in the scientific thoughts of complexity and emergence.[#7] It may be noted that new scientific-philosophical ideas, like that of chaos, were introduced into many fields. Peat stated: "Today chaos theory along with its associated notions of fractals, strange attractors, and self-organization systems, has been applied to everything from sociology to psychology, from business consulting to the neuro sciences". [#6] According to engineer Cecil Balmond, in his thought-provoking article "New Structure and the Informal": "I....New science offer a fresh start. Reflecting the linear and hand-me-down logic of the hierarchical thinking, new science openly embraces the complex. The non-linear is adopted. What is new is the admittance of feedback as motive. There is overlap, and the simultaneous is empowered. Incredibly, such starting points of the chaotic are seen to lead towards stabilities and coherence, driven by natural self-organizing wills. The paradigm is one of emergence[...]." In this connection, one should note that Charles Jencks, the author of Postmodern Architecture [#8], expanded the historical account in a subsequent book contemplating "[.] how complexity science is changing architectural culture. [#9] In another place he associates this New Paradigm in Architecture to a second stage of postmodernism: "Since the mid-1980s, some Postmodernism caught on and became a global movement; like its parent modernism [....] [With […] real changes in attitudes and practice [...] the movement of postmodernism has reached its second main stage. This stage is termed the New Paradigm, or Complexity Two. […] Complexity Two stems directly from the earlier work in the 1960s on systems theory, the New Paradigm grows out of the Post-Modern movement in science, so there is both a continuity and change [...] Complexity One and Two are committed to pluralism - that is why they are both Post-modern - but in very different ways". [#10] In addition, the Architectural Design issue from mid- 1990s, edited by the same author, constitutes another revealing document of the impact of the "New Science" on a "New Architecture". [#11] In, fact, an
emphasis is identified in the connections between architecture and the discourses of systemic complexity (i.e. with quantum mechanics and thermodynamics along with catastrophe theory, chaos theory, fractals, non-equilibrium theory, etc). Jencks' 1997 text suggested that "complexity is the theory of how emergent organization may be achieved by interacting components pushed far from equilibrium (by increasing energy, matter or information) to the threshold between order and chaos. This important border or threshold is where the system often jumps, bifurcates or creatively
interacts in a non-linear, unpredictable way (the Eureka moment) and where the new organization may be sustained through feedback and the continuous input of energy. In this process quality emerges spontaneously as self-organization, meaning, value, openness, fractal, patterns, attractors formations and (often) increasing complexity (a greater degree of freedom)". [12]
Even though it doesn't seem that we should accept the advent of this organicness as a given, it is a fact that the discipline of architecture needs to reflect upon ways of dealing with the complexity of its contemporary world. In the area of design, the influence of the new sciences can be seen in the use of computers for generative, topological and self-organizing experiments. In the area of construction, this can be seen in the investigation of evolutionary spaces, that ponders the relation between the environment and users as something dynamically interactive. In short, both intended to problematize the conventionally more accepted design over deterministic approaches and explore building responsiveness.
In relation to the discussion of complexity in architecture it is important to extensively refer to Chris Abel's prodigious "Visible and Invisible Complexities". [#13] It consists of a conscious text where the author criticizes a tendency that arose in the 1990s for an interest in a merely superficial, visual and formal complexity; while highlighting how the Information Technologies and Complexity' Era affects architectural conception and production in a distinct level (an opinion which | share). Abel goes back precisely to computation and the organic dynamics of cybernetics and adaptative machines, and recalls early reflections of the Information Era in Architecture". [#14] He then moves on to the use and impact of information technologies at diverse architectural levels. [#15]
Abel alludes to "Friedman's vision of a self-building community", and goes on to criticize the "pseudo-complexities" of many well-known mainstream practices, from which arose a mere formal-visual complexity. These only superficially achieve, according to Abel, their supposed aim of diluting the architect's gesture, persisting which on the exclusion of others, due to its incapacity to translate the complexity that emerged within the real world: [#16] On the contrary, the Information Era's aspects previously described by Abel, act in a distinct direction. As he states: "The essence of all these innovations and developments, as of the organizational and social complexities which arose from them, is that they involve multiple human and technological agents combining with unpredictable consequences". [#17] The conclusion have the explicit title "Local Space, Global Mind". Abel's account, is thus extremely relevant to mention here as it traces the rise of our Complexities Era to half a century ago, and highlights that its significance resides at a level distinct from the mere visual-formal dimensions privileged by some current architects' practices, i.e., at the level of enabling dialogue, and of the acknowledged interaction of the complexities brought about by the multiple interactions of the real world.
At this point, it should be emphasized that the still ongoing shift in post-modern architecture, to embrace issues of complexity and emergence, was impulsed by the impassiveness and nihilism in which post-modernism itself falls, after decades of engagement with the issues of language and meaning (from the structural appeal of the 1960s to the 1980s' post-structural trend of Deconstruction) in trying to challenge a stricter Modernist credo largely marked by predetermined aims, linear thought, and static principles-canons.
However, it must also be seen as something parallel to the progressive establishment of a new techno-cultural order - the Digital Society - (a post-post-modern moment, in which we find ourselves currently). Digital Society has evolved since the post-war period, and, in many respects (of both conceptual and technological order), has a direct connection with the earlier areas of cybernetics, systems research and computation. In regards to this, I could briefly summarize what I state in my PhD inviting those interested in more depth to take a look at the full work: "Around the mid-1990s, the
architectural agenda finally began to refocus itself on the new techno-cultural order of the Information Society and on an aesthetics of complexity and emergence. [...] However, the envisioning of an more evolving character and the current architectural emphasis on a spatiality of emergence open to the diversity brought on by time, has long since matured. This process took place within the seminal exchanges between cybernetics, systems research and computation, which had crucially occurred during [the encounters of three personalities]”. [#18] Those were Cedric Price and architect John
Frazer; and of particular significance was the occurrence of two Price's projects - the Generator project (dated 1976-1980 and later revisited) developed under the Frazers' consultancy, and the Japan Net Competition Entry (from 1986) developed with Pask. "It is no coincidence that both of these projects pertaining to Cedric Price, from which derived a [philosophical] postmodern questioning concerning architecture's role in
society and the architect's status. [As it is known], Price's production also accepted up-to-date technology and was instrumental in high-tech developments and the like. However, it was never in favour of the mere uniformization and commercialisation that such an approach now permits.
On the contrary it was intended simply to enable change to flow. Among Price's radical productions, the [previously mentioned] Generator and Japan Net projects represented a unique contribution to the contemporary debate about a responsive, informational and evolving design as well as potentially influencing more recent developments in technological and conceptual orientated architecture. It was Price's acknowledgement of the new ideas and technologies that enabled Frazer and Pask to push forward their
research into precise architectural projects. Together - Pask, Price, and Frazer - [...] advanced design towards an evolving environment. They prepared the roots for the current dynamics, and have continued, until today, to offer seminal ground to which one should return to face urgent speculation, on a technical and conceptual level on the subject of future developments at a time when architecture is facing a post-industrial, global, uncertain, and ever-changing world. Instead of trying to reinforce
predeterminations in the form of static solutions, architecture could acknowledge the permanent cultural oscillations of society, find ways to help deal with the consequent feedback; and advance towards the conception of design systems creatively open to interaction, adaptation and evolution, as the cultural productions of our civilization - from past knowledge to future technology – allows”. [#19]
REFERENCES
#1 This article was originally published in portuguese, see: Arq/a, January 2008, p.20-23. The article is based in an extract from the text produced while frequenting the PhD program of UCL: The PhD dissertation focuses on the encounters of the British professionals - Gordon Pask, Cedric Price and John Frazer – and provides a complete account of two outstanding architectural projects related to systems and computation – Generator and Japan Net. The research and PhD was supported by Fundação para a Ciência e Tecnologia (Programa de Bolsas de Doutoramento – Cofinanciamento do Programa Operacional da Ciência e Inovação 2010 e do fundo social Europeu).
#2 See my books: “Notes on the space of digital technique” (Oporto: Mimesis, 2002), “Marcos Cruz: Unpredictable bodies” (Oporto: Mimesis, 2004), “Off forum: Postglobal city and marginal design discourses” (Bogota: Pei, 2004), “Interferências: Conformação, implementação e futuro da cultura digital” (Oporto, 2005), “The construction of the critical project” (Bogota: Pei, 2005), “Architecture: machine and body” (eds; Oporto: Faupeditorial, 2006).
[#3] “Constant updating of information and data held by the office becomes an internal design exercise in its own eight. This process, helps towards maintaining the efficacy of the office’s prime approach to architecture which is one of continuous Anticipatory Design. Architecture is too slow in its realisation to be a ‘problem’ solver’. Thus C.P. office sees its particular product (buildings) as the readily recognisable parts of its continuous design process […]. Current particular interests are […]smart materials, fuzzy logic (the quantification of vagueness), bio-electronics […].
Cedric Price, Re:CP, Basel: Birkhauser Verlag AG, 2003, p.136.
[#4] Interview to Manuel Gauza, in: “Arquitectura e Vida”, N.38, Lisbon, May 2003, p.50-57.
[#5] Ibid.
[#6] The sixth chapter of Peat’s account on the shift from certainty focuses on one of its historical steps – “The introduction of chaos into the art of sciences. See:
F. David Peat, From Certainty to Uncertainty: The Story of Sciences and Ideas in the Twentieth Century, Washington: Joseph Henry Press, 2002, p.115.
- It can also be noted that, in relation to this subject, one noticed that particular interests were employed operatively in architecture and urbanism, such as Chaos theory, or Fractals. See:
Michael Batty and Paul Longley, The Fractal City, UK: Academy Press, 1994.
[#7] Cecil Balmond, “The New structure and the Informal”, in: Charles Jecks (ed.), Architectural Design Profile – “New Science = New Architecture”, N.129, London, 1997.
[#8] Charles Jencks, The Language of Postmodern Architecture, London: Academy Editions, 1997.
[#9] One notes also that “Cedric Price Retriever” indicates that Price possessed Jencks’s “Postmodern Architecture” (Academy, 1975). In this connection, see:
Samantha Hardingham and Eleanor Bron (eds.), Cedric Price Retriever, London: Institute of International Visual Arts, 2006, p.98.
- See also: Charles Jecks , The Architecture of the Jumping Universe: A Polemic: How Complexity Sciences is Changing Architectural Culture, UK: Academy Editions, 1995.
[#10] Charles Jencks, The New Paradigm in Architecture, New Haven and London: University Press, 2002.
[#11] Charles Jencks (ed.), Architectural Design Profile – “New Science = New Architecture”, N.129, London, 1997.
[#12] Charles Jencks, “Non-linear Architecture”, in: Charles Jencks (ed.), Architectural Design Profile – “New Science = New Architecture”, N.129, London, 1997.
[#13] Chris Abel, “Visible and invisible complexities”, in: Architectural Review, V.199, N.1188, February 1996, p.76-83.
[#14] I.e., first Cedric Price’s contemplation of invisible parameters, Yona Friedman’s design inclusion of the user, Architecture Machine Group’s focus on the man-machine dialogue and Gordon Pask’s vision of it as a learning system; second, the theoretical shift that acknowledged the non-deterministic sciences of systems and complexity, expressed in occurrences such as Royston Landau’s 1969 and 1972 “Architectural Design” issues. See:
Ibid.
[#15] Including the 1980s’ use of information technologies and flexible manufacturing systems (also) in the customizing of architecture; the application of computerized systems in the pursuit of intelligent buildings; the exploration of C.A.D. and production methods, including the collaborative networks, C.A.M. and V.R.; and finally, the conformation of the global network that supports collaboration, communities and intelligent agents. See:
Ibid.
[#16] Abel state: “Instead of genuine human development or dialogue, what we get is a poor substitute usually dressed up in an obscure language to resist detection”.
Ibid.
[#17] Abel continues: “No single designer or team of designers could possibly substitute the same order of complexity which is the natural result of so many freely interacting agents”. And in the last point of his article, explicitly titled “Towards an architecture of dialogue”, he states “It is questionable how long the architectural profession can sustain the deceits and delusions of these architectural dinosaurs in the wide open, participatory world of the internet”. See:
Ibid.
- it is also important to point out that, in parallel, Abel consciously makes us aware that “[…] Friedman’s and Negroponte´s radical vision of computer based, democratized architecture of now architects offers a drastic alternative […]” and goes on to recall the existence of beneficial understandings about Intelligent Buildings by bio-tech designers who “[…] are well tuned to both the visual and invisible complexities of the Age”. (This is followed by a conclusion describing architectural transactions between West and East under the explicit - and today’s crucially significant- title “Local Space, Global Mind”.) See:
Ibid.
[#18] See: Gonçalo M. Furtado C. Lopes, “Envisioning an Evolving Environment: The Encounters of Gordon Pask, Cedric Price and John Frazer” (PhD dissertation; Supervised by Neil Spiller and Iain Borden), Bartlett-University College of London, 2007.
- I would also like to express my gratitude to several people: to Terence Riley for the interview we titled “Mediatization and Vanguard” (published in [W]Art, N.1, Oporto: Mimesis, 2003, p.97-103); to Christian Larsen for his help during my visit to MoMA’s archives; to the Portuguese Ordem dos Arquitectos for their invitation to made a presentation about MoMA’s (2002) “The Changing of the Avant-garde” exhibition and the Metabolists at the Serralves Museum in 2003; to Howard Schubert and Anne Marie Sigouin for their help during my visits to C.C.A archives in 2005; to Vitor Silva for his brief commentary on my paper “Notes on Systemic and Cybernetic though in Architectural representation” submitted to PSIAX in 2004; and to Jonathan Hill for his commentaries on my presentation at Bartlett “Enabling Architecture and Technological Responsivity in Cedric Price’s […] post WW II architectural discourses” (2005). I am grateful to Oporto University’s FAUP for their support for the realisation of the documents “Towards a Responsive Architecture: Cedric Price’s Generator and Systems Research” (FAUP; March 2006) and “Envisioning an Evolving Environment: The Encounters of Gordon Pask, Cedric Price and John Frazer” (FAUP, Submitted February 2007), and to Fundação para a Ciência e Tecnologia whose scholarship fund made my research possible (Cofinanciamento do Programa Operacional da Ciência e Inovação 2010 e do fundo social Europeu).
[#19] Ibid.
6/16/26
6/10/26
Colóquio "Desafios habitação: desafios e caminhos futuros"", Lisboa, 25 e 26 Junho 2026
2.3. Mercado, território e evidência empírica em políticas de habitação – Sala 2, 25 junho 2026
Leonor Canudas (FAUP)
Gonçalo Furtado (FAUP) -
''Ciclo da Vida: a relação entre a crise da habitação e o
mercado imobiliário'', etc /
4.1 Prática arquitetónica, participação e transformação social – Sala Maria de Sousa, 26 junho 2026
Adriana Peixoto (FAUP) e Gonçalo Furtado (FAUP) - ''A questão habitacional: o da crise no séc. XXI'', etc
6/7/26
Port Bou (Nota de visita preliminar a residência).
Port Bou (Nota de visita preliminar a residência).
Portbou, pequena povoação, com estação férrea, na fronteira entre Espanha-frança, no fim de cordilheira dos Pinéus.
As construções dispõem-se em redor de uma baía no mediterrâneo, coroadas por um cemitério á direita. O local é símbolo de desejo democrático na Europa no último século. História de sequência de rotas de tráfico clandestino, das fugas republicanas da guerra civil (1936-?), em expressão dos fascismos na europa, e mesmo do êxodo judio da Grande Guerra…./
Walter Benjamin ali chegou em setembro de 1940, com mala carregando anotações acumuladas em Paris, onde se refugiava desde 1933. Chegou com guia, uma senhora seu filho. Mais tendo então sido identificado na esquadra da polícia, e hospedado no quarto de pequeno hotel./
Ora, ali, temendo por só possuir o visto para passar Espanha e Portugal rumo aos EUA, escreveu carta a Adorno. Constatando que seria nesse pequeno local, junto aos Pirenéus e onde ninguém o conhecia, que acabaria a sua vida. Mas este seu “suicídio”, associa-se ao momento mais amplo e particularmente bárbaro da História dó século XX./
A sua amiga Arendt – (que tão pertinente ainda permanece nos dias que hoje correm), - visitou um dia tal local, recordando-o como um dos mais bonitos em que estivera. Depois, desde o outro lado do Atlântico, promoveria a tradução inglesa dos textos de Benjamim. Textos com escrita caracteristicamente fragmentada, como única possibilidade da tentativa de dar conta de uma realidade que nos é dificilmente apreensível./
O memorial a Benjamim, que foi construído junto ao cemitério pelo escultor israelita Karavan, consiste num caminho vertiginoso de queda ao mar (que não deixa de ser o que hoje se continua a passar em locais como Gaza….). E a a reprodução do branding “Walter Benjamim”, disseminada ubiquamente por toda a povoação, não deixa de ser simulacro de uma sociedade pró-democrática, de consumo turístico global e gentrificação mediática… Tal não pode senão deixar de nos surgir, de forma paradoxal e indagante, enquanto cidadãos europeus de um mundo pós-democrático ameaçado por fenómenos como o populismo./
Esta visita é pessoalmente também memória de um dia horribilis, de simultâneo não sucumbir ás pequenas barbáries com que nos deparamos na nossa pequena vida individual, em prole da resistência maior que o actual conflituoso mundo reivindica a qualquer intelectual minimamente dedicado. Quiçá, enquanto desejo de continuo contributo a este mundo que em breve deixaremos á geração dos nosso filhos e netos. Como um sentido de vida, para esses que serão também um dia os novos pais no enigmático mundo que se conforma para o século XXI./
GF, 3.6.2026
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