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''Sergio Fernandez (1937-2026)'', IN https://sigarra.up.pt/faup/pt/noticias_geral.ver_noticia?p_nr=93303

in https://sigarra.up.pt/faup/pt/noticias_geral.ver_noticia?p_nr=93303 ''Sergio Fernandez nasceu no Porto em 1937. Formou-se em Arquitetura na Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP), onde, ainda estudante, participou em 1959 no Congresso Internacional de Arquitetura Moderna, em Otterlo, experiência que evidencia, desde muito cedo, sobre a necessidade de presença, ainda que discreta, nos focos de debate arquitetónico global. Após concluir a sua formação, iniciou uma longa e marcante carreira académica, lecionando primeiro na ESBAP e, posteriormente, na FAUP. Fez parte dos Conselhos Diretivos e Pedagógicos do Curso de Arquitetura da ESBAP entre 1976 e 1983, assumindo mais tarde o cargo de Vice-Presidente do Conselho Diretivo (1988-1994) e dirigindo o Centro de Estudos da Faculdade de Arquitetura entre 1990 e 1997. Desde 1987, foi membro efetivo do Conselho Científico da FAUP, onde viria a jubilar-se, em novembro de 2006, como Professor Agregado. A sua atividade como docente inclui a passagem por inúmeras escolas de arquitetura, desde os Países Baixos até ao Panamá. Ainda enquanto colaborador de Viana de Lima, Sergio Fernandez, no contexto do seu concurso para a obtenção do diploma de arquiteto, parte, em 1963, para Rio de Onor, no intuito de estudar as condições de habitação rural da comunidade. Essa experiência revelou-se determinante na sua formação, contribuindo para uma compreensão alargada das relações entre arquitetura, território e comunidade. A partir de 1965, inicia um percurso de projeto, na maior parte das vezes desenvolvido na pluralidade da coautoria. O primeiro exemplo é o bloco do Bairro da Pasteleira, com o arquiteto Pedro Ramalho. Os vários trabalhos espelham a capacidade de debater e ouvir o outro, mas não deixam de revelar uma coerência que decorre de um sentido de estar em comunidade e de equacionar os espaços que a fomentam, sempre numa atmosfera quente e acolhedora. A construção da sua própria casa de férias, em 1971, em Caminha, é o mais belo manifesto dos seus princípios e da sua forma de estar. Nos tempos quentes da Revolução, participa no processo SAAL, como arquiteto do Bairro do Leal. Como o próprio reconhece, a experiência de Rio de Onor, entre a articulação e o modo como o espaço da família e o espaço da comunidade se complementam, constitui o tema central do projeto, ao qual retorna ao longo do seu percurso, independentemente do contexto social em que intervém. Disso são exemplo o projeto para o Complexo Turístico de Moledo, em 1980, ou, vinte anos depois, o Bloco Residencial em Viana do Castelo, com Alexandre Alves Costa, com quem, a partir dos anos 70, funda o Atelier 15, passando desde então a partilhar a autoria de uma vasta obra, projetada e construída. Deste conjunto, destacam-se os projetos de reabilitação do histórico Cinema Batalha, no Porto, do Teatro Constantino Nery, em Matosinhos, do núcleo histórico de Idanha-a-Velha, da requalificação do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, da reabilitação da Casa-Atelier José Marques da Silva e da requalificação da Escola Secundária Alexandre Herculano, no Porto. Estes projetos integram uma série de mais de uma centena de trabalhos que fazem parte da doação, em 2022, à Fundação Marques da Silva dos respetivos arquivos profissionais, individuais e em coautoria. Em 1985, publica o livro ‘Percurso da Arquitectura Portuguesa 1930-1974’, desenvolvido no âmbito das provas de habilitação para o título de professor agregado do curso de Arquitetura da Escola Superior de Belas Artes do Porto, obra que marcou de forma incontornável a “história da história” da arquitetura portuguesa do século XX. Compreender, questionar ou, tão só e principalmente, alimentar a curiosidade de partir à descoberta constituem dimensões fundamentais na forma de ensinar de Sergio Fernandez, cuja recorrência ao plural sempre sublinhou a valorização do coletivo em detrimento de uma postura centrada no indivíduo. Altruísta, assertivo e incansável nas viagens com os alunos, cultivou uma relação pedagógica próxima, marcada pela partilha, pela exigência e pelo entusiasmo pelo conhecimento. Sergio Fernandez deixa um legado assente numa expressão de caráter, de valores e de uma ética de vida e de intervenção, que se traduz numa marca indelével junto de estudantes, colegas e, sobretudo, enquanto cidadãos, cuja relevância importa preservar.'' in https://sigarra.up.pt/faup/pt/noticias_geral.ver_noticia?p_nr=93303

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