writings on architecture, design and cultural studies (incl. oporto school, portuguese architecture, critical project, drawings and photografphy, cedric price, gordon pask, and other stuff...)
9/11/26
NOTA DE REVISÃO EM TEMPOS DE SIMPLIFICAÇÕES E COMPRESSÃO - DO MÉTODO, OBJECTIVOS E REFERENTES BASE (ANUÁRIA 2026)
NOTA DE REVISÃO EM TEMPOS DE SIMPLIFICAÇÕES E COMPRESSÃO - DO MÉTODO, OBJECTIVOS E REFERENTES BASE (ANUÁRIA 2026) / /
Gonçalo Furtado / /
i. Palavras e construções (Intróito) / /
Gostaríamos de começar, aproveitando esta introdução geral, por fazer uma brevíssima consideração acerca da teoria de (em e para) arquitectura.
Assim, desde logo é nosso entendimento que a área possui potencialmente (no geral mas também na academia) benefício e produtividade, sobretudo se associado a leque de objectivos específicos (que muitas das vezes lhe são quasi exclusivos), bem como à mobilização de experiências individuais de métodos experimentais diversos, orientados para a variedade de “aberturas”.
No início de cada ano lectivo em que retomamos o ensino da Teoria, costumamos projectar a imagem “Architect’s tool set” (obra realizada por William Robertson em 1992 ), que surpreende por consistir numa caixa de ferramentas de arquitectura manufacturada em dimensão inferior à de uma caixa de fósforos, para albergue de dezenas de instrumentos de desenho (como compassos, tira-linhas, esquadros e demais).
Depreendemos dessa obviamente a centralidade das ferramentas de desenho rigoroso na hora de procurar caracterizar a prática da profissão do arquitecto. Não obstante, por outro lado, não deixa de nos poder suscitar a indagação de: se por acaso não tivéssemos aposto o título dessa imagem/caixa associando-a ao profissional em causa - não afrontaríamos alguma dificuldade em definir com toda a certeza a quem pertenceria. Isto porque, se sabemos que o desenho/projecto é central na prática arquitectónica, o desenho não se restringe à arquitectura, e essa indubitavelmente persiste, imanente, numa realidade que vai do mundo imaterial das ideias a experiências físicas, até à materialidade do mundo construído. / /
ii. Teoria da arquitectura (Métodos e objectivos) / /
Acrescendo a esta breve consideração introdutória, propúnhamos remeter para par adicional de aspectos caros – a dos preditos métodos e objectivos.
Assim, aproveitávamos primeiro para fazer um parêntesis dizendo que em Teoria da arquitectura, tais métodos (leia-se os “métodos e linguagens da arquitectura moderna/contemporânea”), são, idealmente e no que respeita ao seu exercício, métodos de cariz teórico bem como prático.
Restringindo-nos ao ensino de teoria com vista a melhor obviar o que pretenderíamos enaltecer, consideram-se por vezes como método de ensino, aulas teóricas mediante as quais se profere e aborda conteúdos gerais pré-determinados. Isto é, tour court exposições orais das variadas matérias por um docente, mediante exposições progressivamente sobre-ilustradas e, com mais ou menos frequência, absorvendo a participação dos estudantes e complementação pela intervenção de outras individualidades.
Não obstante, optamos por manter a posição - (em tempos de engendrada “alteração simplificada de Planos de estudos” e não obstante “compressões”) - de que a obtenção de conhecimentos se mantenha a ser feita da “outra forma” possível. E sempre em interação com uma componente lectiva prática, na qual e a final os conhecimentos e competências esperados, surjam avaliados ao longo de uma multiplicidade de fases (e eventualmente alguns exames)./ /
De facto, a nossa ideia de prática e desenvolvimento de trabalhos em teoria de arquitectura, pressupõe o desejo de que - mesmo que em pequena amplitude - haja experimentação e personalização individual. Neste conspecto, são pois importantes os denomináveis métodos de ensino experimentais. Razão porque os métodos de ensino que definidos para o caso da “Teoria 1” (de arquitectura) que ministramos, incluírem sempre: uma experimentação e investigação no que concerne a conteúdos expostos em sessões de ensino com modelo oral e colectivo. E i.e. um trabalho prático, que pode compreender um enquadramento relativo a períodos gerais ou específicos (como o moderno e o pós-moderno e contemporâneo) - visando motivar uma consolidação e reflexão critica sobre os preditos conteúdos. Mais compreendendo, uma sequência diferenciada de fases, com desenvolvimento expandido para lá do tempo de aulas (ainda que sempre acompanhado pelo docente); e ainda, tanto componentes de experimentação de foro individual (de natureza oral como de escrita) como componentes de discussão em grupo. Tal sempre sobre o prisma da variedade de subtemas de interesse individuais (em si interligados mas distintos) que tenham sido escolhidos; bem como uma sequência de fases/momentos de planeamento, proposta e desenvolvimento; incluindo a oportunidade de pequenos momentos intermédios de síntese da investigação, e culminando o trabalho num ensaio escrito (como resultado de toda a experiência de investigação e experimentação). / /
Assim acreditamos a final contemplar pois os conhecimentos obtidos ao longo do desenvolvimento dos trabalhos (a viagem ou processo), os conhecimentos retidos no que tange à matérias focada, bem como o aprimorar da capacidade de reflexão crítica de cada um. E ainda, a montante, a (ao longo do ano conquistada) capacidade em termos de “planeamento” de uma investigação (da definição de campos da teoria ou objecto temático, à “diagramatização” de subtemáticas, de “objectivos” e “fontes” acessíveis, etc), bem como a capacidade de um seu desenvolvimento (de forma estruturada, com introdução, partes de exposição e de crítica, e conclusões finais).
Certo sendo que a qualidade da viagem (investigação) decorre de tudo o antes aludido que deve ser adquirido no decurso de uma realização consistente de trabalho na área (de teoria da arquitectura). / /
Em segundo lugar, podíamos continuar dizendo que os objectivos da teoria tout court são a própria cultura disciplinar (desafio e expressão teórica); e a profusão das suas competências críticas (expressas por exemplo em escrita dita ensaística, mas não só).
Sendo que os objectivos mais académicos (da inicial Teoria 1) que ministramos, três a saber: Um, a familiarização com sequência de movimentos teóricos, linguagens arquitectónicas e pensadores-arquitectos, que vão marcando o desenvolvimento da disciplina em geral e da área da Teoria em particular. Dois, a compreensão tanto da sua especificidade como das interacções que estabelece com as outras áreas disciplinares (i.e. com o projecto, história, construção, urbanismo). E três, o desenvolvimentos de conhecimentos gerais, capacidade crítica e interesses pessoais, que apoiem as práticas arquitectónicas de cada um e (mesmo para muitos em) experiências projectuais. / /
iii. Consistência (Programa) / /
A consistência e qualidade do trabalho teórico compreende e depende de grau de envolvimento.
Por exemplo (no caso dos aprendizes em Teoria1), dos conhecimentos mobilizados em matérias focadas, e da capacidade de reflexão critica ao longo do desenvolvimento (permanecendo a possibilidade de melhorias, participação, conhecimentos obtidos). / /
Por outro lado, gostaríamos de (no âmbito destas muito breves considerações introdutórias), salientar a identificação do potencial presente na sequência de temas (Vd. ficha da UC em website), que entendemos não dever deixar de atender e abordar na contemporaneidade.
Sequência esta de que advém da estruturação proposta de um programa composto por 24 actos. Actos/aproximações que versam sobretudo o recente século XX (o período da vanguarda moderna, da transição do pós-guerra, do pós-moderno e do agora contemporâneo); que oscilam entre o contexto internacional e português, bem como entre um pensamento cultural geral, teorias especificamente arquitectónica, e exemplos das expressões/concretizações projectuais ocorridas. I.e. numa dialética teoria-projecto pois, em que não prescindimos de sempre elencar/cobrir todo um universo de obras chave proveniente da história da arquitectura e autoria de relevantes arquitectos. / /
De facto, interessa-nos este Programa teórico, pela particular/especial relevância que comporta para a agora nossa contemproaniedade.
Assim, se o desenvolvimento teórico da disciplina da arquitectura é imenso, reconhecemos a opção de, por um lado, aqui dar especial enfâse ao século XX). E por outro lado, se o desenvolvimento parece ter percorrido uma sequência de conteúdos ou temas, e possível organizar tal segundo grupos determinados. Um primeiro grupo atendendo à conformação e performance no período Moderno (como já aludido em termos dos vectores do pensamento cultural geral, das teorias especificas de arquitectura, e sua expressão projectual); ainda que parecendo produtiva a distinção/divisão de um subperíodo mais vanguardista e outro transição correspondendo à transição do pós-guerra. Um segundo grupo atendendo à conformação e performance no período Pós-moderno (como igualmente já aludido, em termos do pensamento geral, de arquitectura especificamente e da sua expressão projectual). E, por fim, um terceiro grupo atendendo à conformação e performance no período contemporâneo. / /
iv. Sobre referências (Fontes bibliográfica) / /
Por último, dizer que a teoria de arquitectura usufrui hoje da existência de amplas fontes bibliográficas. Fontes estas que, só a título meramente exemplificativo se podem enumerar (numa dúzia de referências gerais), no que tange à cultura arquitectónica e da Teoria em arquitectura em particular. / /
Assim, se fossemos confrontados com o desejo de sugerir algumas sequências de leituras em Teoria, que pudessem servir enquanto referências para uma iniciação à área, poderíamos arriscar a ordem abaixo partilhada.
Por exemplo, relativamente à arquitectura, começar com homónimo livro “Arquitectura” de Maria João Rodrigues. Também Leonardo Benévolo, providencia uma “introdução à arquitectura” ; sendo que com enfoque da prática profissional da arquitectura, Spiro Kostof providencia “chapters in the history of the profession”. E, numa relação entre “arte e arquitectura” em termos de novas afinidades, podemos salientar Shulz-D…
Já para relação com a filosofia, salientaríamos Poli em “filosofia e arquitectura; Kant, Hegel, Valery e Derrida ; o pequeno “arquitectura e crítica” de Montaner.
A “ideia de arquitectura” é também abordada por R Fusco; e “a introdução à arquitectura: conceitos fundamentais” por Solá-Morales. Em termos terminológicos, a relação “words and buildings” consta sistematizada por A. Forty; F. Hearn focou “Translating drawing to building ; J. Rajchman as “Constructions”; e N. Leach auturou um “Towards a definition of architecture”. De um ponto de vista da perspectivação metodológica (e conhecimento da própria arquitectura e disciplina) saliento Pierre Boudon versando “o paradigma de arquitectura” e “Introdução à architecturologia” (numa perspectiva de reflexividade).
Já em termos de antologia do conhecimento, salientaria “A companion to contemporary architectural thought” editado por B. Farmer e H. Louw ; e o 1º tomo sobre “a cultura arquitectónica” de “Architecture une anthologie” por J. P. Epron.
Em termos de históricos, a história da teoria de arquitectura” é providenciada por Kruft ; “O legado oculto de Vitrúvio; sobre teoria e construção de arquitectura por N; “A companion to architectural theory and practice from Alberti to Ledoux” por W Dora; e “De Ledoux a Le Corbusier: origem e desenvolvimento da arquitectura moderna por E. Kauffman. Já centrados no século transacto, poder-se-ia salientar: P. Hereu com “Textos de arquitectura de la modernidade” ; J Montaner com “As formas do século XX ; ou “Programs and manifestos on XX century architecture” de U. Conrad. Destacando-se a consolidação de “international style” por P Johnson e… Hitchcock; “A modernidad superada” por J Montaner ; e a “Architecture culture 1943-68: a documentary anthologie” por Joan Ockman.
Já relativamente à pós-modernidade, começar com o seminal de J. F. Lyotard “La condition posmoderne”. Destacando-se a compilação de Hall Foster versando multidisciplinarmente uma dezena de discursos sobre a pós-modernidade (incluindo a perspectiva de Habermans e relevância em arquitectónica por Frampton). E no nosso entendimento, “Notas sobre o nosso transitório pós-moderno” ; o “Architectural theory since 1968” providenciado por Hays ; e “Theorising a new agenda for architecture theory 1965-1993” por Kate Nesbitt. Tal inclui obviamente a perspectiva de Frampton, no que concerne ao debate pós-moderno, remetendo para uma “História crítica da arquitectura moderna” e “Studies in tectonic culture: the poetics of construction in the XIX and XX century architecture”.
Sobre período de transição , de finais do século XX e urgente reflexão, salientaria, o texto proveniente da última conferência de B Huet “Sur un état de la theorie de l´architecture au XXéme siécle” ; e notáveis “Differencias: topografias da arquitectura contemporânea” de Ignasi Solá-Morales. Sendo que sobre experimentação prática(?), uma das únicas reflexões sobre o mais recente período é “…How complexities science is changing architecture and culture” por Charles Jencks ; ao que acresce a ideia de “An evolutionary architecture” proveniente da pedagogia de John Frazer.
Por último, não deixamos de referenciar nossos próprios entendimentos (que muito marca a conceptualização do presente programa e paralelo livro), the “… construction of the critical project”; com ideias sistematizadas (em prole) de “Um projecto critico: um papel da arquitectura na prática da arquitectura contemporânea” (2004?).
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