writings on architecture, design and cultural studies (incl. oporto school, portuguese architecture, critical project, drawings and photografphy, cedric price, gordon pask, and other stuff...)
6/2/23
Ciências Socialmente Aplicáveis: Integrando Saberes e Abrindo Caminhos
Ricardo Martins e Gonçalo Furtado, EQUIPAMENTOS: GERADORES DE URBANIDADE
E CONSTRUTORES DE CIDADE: UMA ANÁLISE AO
PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO DA CIDADE DO PORTO
ENTRE 1930 E 2020, in: AAVV, "Ciências Socialmente Aplicáveis: Integrando Saberes e Abrindo Caminhos", Vol. IX: Brazil, Maio 2023, p.14-33
https://emea01.safelinks.protection.outlook.com/?url=https%3A%2F%2Fwww.editoraartemis.com.br%2Flivro%2F2904%2F&data=05%7C01%7C%7C45742fcaf2de44ea1e7d08db63791f5f%7C84df9e7fe9f640afb435aaaaaaaaaaaa%7C1%7C0%7C638213144079239718%7CUnknown%7CTWFpbGZsb3d8eyJWIjoiMC4wLjAwMDAiLCJQIjoiV2luMzIiLCJBTiI6Ik1haWwiLCJXVCI6Mn0%3D%7C3000%7C%7C%7C&sdata=A5BsQVYzLXqHKXkLgrB8UI2usZTiw%2BmSh0zA6jeNnW8%3D&reserved=0
6/1/23
Siza Vieira 90 anos: Da sabedoria humilde
Da sabedoria humilde: Memória de conversas com Álvaro Siza Vieira
Álvaro Siza Veira é autor de uma obra impactante internacionalmente, de um método projectual incansável inspirador da “escola do porto”, de um desenho intenso e de uma escrita bela. Para além disso, é um homem generoso, abrangente e aberto, uma sábio humilde. A sua influência é ímpar para a visibilidade internacional da arquitectura portuguesa e para as gerações de arquitectos dos últimos 60 anos.
Ana Silva e Bárbara Silva encontram-se a organizar um exposição na galeria Note que“… seja uma celebração dos 90 anos de Álvaro Siza Vieira e a partir de uma reflexão conjunta do que aprendemos com a sua obra (email de Silva, 30.5.2023).
Recordo uma continuidade e multiplicidade de situações de aprendizagens. Um primeiro cruzamento na rua da Alegria, a sua aula magistral para TGOE, a sua 1ª cozinha em casa do Salgado, uma conferência sobre o Chiado, a publicação de início os 90s, a conversa televisiva com Manuel G. Dias, visita a obras na Holanda e Veneza, a vivência dos espaços da FAUP e feedback amável pelo arquitecto a uma dissertação que orientava, a frequência do atelier do Alvarinho, um par de conversas partilhadas de cigarros no seu atelier, e a tarde tranquila passada a ouvi-lo na sua nova casa.
A extensão disponível para o presente texto não permite escrever todas as situações, pelo que elejo partilhar apenas o último par dessas ocorrido há 20 anos.
1.
Na altura deslocara-me ao outro lado do atlântico para conferências na Pontifícia Universidad Javeriana de Bogotá. A chegada fora marcada pelo encontro com o director Álvaro Botero, que era surpreendentemente parecido com o nosso herói português, e que me pediu que entregasse um par de fotografias deles num workshop de projecto de habitação social ocorrido em Los Andes nos anos 70. Recordo-me do sorriso esboçado pelo Siza no seu escritório, as suas memórias e a humildade com que solicitou um telefonema ao congénere com quem algures se cruzara para agradecer a foto. Mas mais, as palavras bondosas que me privilegiou ouvir nas horas seguintes acerca da importância da habitação social, da dedicação que lhe conferiu em Portugal e noutros países, e sobre África (penso que Cabo Verde). Impressionou-me como, entre cigarros partilhados, todas as suas palavras focavam, não em soluções formais, mas em primados sociais e preocupações com o ser humano.
2.
Por altura do meu comissariado da exposição “Tracing Portugal” na AA com apoio da Gulbenkian, tive igualmente o privilégio de usufruir do conhecimento e conselhos sábios do arquitecto maior português, entre caixotes da nova casa para onde então se mudara.
Num primeiro momento, propus o mote da Arquitectura Portuguesa sobe o prisma da “Continuidade e ruptura”, e recebi uma sequência de esclarecimentos
Sobre a modernidade portuguesa e Távora: a influência desse “arquitecto invulgar”, a abertura que levou à “revisão do moderno” e a aproximação “dos arquitectos e população” no pós-revolução - “São percursos diferentes…, a influência no meu trabalho da arquitectura vernacular é muito menos directa e pura. O que se transmitiu foi uma atitude de ‘continuidade’ que questionou um latente espírito de conservadorismo que não convida o que é novo” (sic).
Sobre o “norte e o sul”, apesar da existência de diferentes circunstâncias: “a dicotomia Lisboa-Porto é mais um invento, apenas vinda das própria realidade da produção” (sic).
Sobre o mito das escolas: “Existiu nos anos 50/60 uma escola que melhor conseguiu contornar o aperto das pressões. Não vejo muito sentido usar o termo escola [do porto] depois, é fonte de equívocos e algum elitismo” (sic).
Sobre o contexto pós-revolução e anos 80s: “A grande diferença pós 25 de Abril foi a dedscentralização da presença dos arquitectos para além de Lisboa e Porto…. Observo uma destruição generalizada do território. Que vale uma obra de arquitectura num território delapidado? Penso que se trata de um aspecto que não está tomado à escala devida pela muita pequenez que há na política” (sic).
Sobre a crítica de arquitectura e o “Regionalismo crítico”: “Falando de Frampton, acho que a sua obra como crítico é de uma ‘continuidade’…. Quanto ao termo ‘regionalismo crítico’… tenho ideia de ter dito uma vez que era uma tero inconveniente…, ressalta o regionalismo” (sic).
Sobre a questão (muito pós-moderna) da “autoria”: “Há um desentendimento do que é a palavra ‘autoria’, porque no fundo há uma complementaridade do que é a intenção pessoal ou de grupo e os meios possíveis. Sempre houve foi historicamente uma tensão e luta ideológica” (sic).
Sobre a(s) postura(s) pós-modernas: “Hoje já não se fala no sentido superficial de estilo em pós-modernismo…, as denominações são redutoras ainda que necessárias” (sic).
Num segundo momento da conversa, propus focarmos o comissariado que eu tinha em mãos bem como sobre a contemporaneidade e o sentido da arquitectura; tendo recebido generosos conselhos e partilha.
Sobre a reflexão que empreendia em redor da exposição sob o título “Continuidade e ruptura”: “Como é natural não é tudo rupturas e continuidade legíveis aqui e ali…. Numa exposição de gente nova são importantes muitos aspectos; como contar com a sua dificuldade de aceder ao trabalho….. Os arquitectos já são reconhecidos e trabalham em todo o país, mas há muito mais dificuldade, muito mais burocracia e formalismo…. Há realmente condições, a tal abertura à informação, mobilidade etc. Mas em Portugal há uma coisa que é a desordem do território e que afecta a arquitectura…. Uma exposição organizada assim representa uma escolha e balanço do que se está a produzir. Tem valor documental e será também desencadeadora de debate” (sic).
Sobre experiências de proximidade Arquitectura e Arte: “Agora está a acontecer, e é curioso como há muitos artistas a aproximarem-se da Arquitectura. Parece-me um aspecto positivo e que se opõe à tendência de total especialização…. Penso muitas vezes no surgimento de uma abertura, de relacionamento, rompendo com esse espírito terrível da especialização…. Num campo tão vasto haverá especialização, mas vejo que o desafio é o relacionamento e complementaridade em curso” (sic).
Sobre a contemporaneidade e o tempo: “Hoje apreciamos tudo sujeito a essa vertigem do imediato, mas o tempo é o arquitecto, o tempo trabalha muito e cada vez se aceita menos a sua existência e importância. Tudo é mais intenso na vida contemporânea” (sic).
Por fim , perguntei eu ao mestre sobre o sentido da Arquitectura: “Se pensarmos na vida de um arquitecto e os seus tempos de institucionalização, as gerações que exponho são muito jovens. Após uma vida e a notabilidade que esta lhe conferiu, para que é que lhe parece que serve a arquitectura e porque é que faz arquitectura?”. Rematou Siza Vieira: “Em princípio faz-se para a pessoas viverem melhor… ou às vezes pior não é? (risos). Por outro lado, o interesse por construir faz parte da natureza humana e suas necessidades, concentrando-se em pessoas que são insubstituíveis para isso.… Se calhar em casa arquitecto existe o desejo que não fosse necessário arquitectura. Mas, por exemplo, aqui há uma ânsia de construir no centro histórico e não é necessário…. (Há pouco falávamos de autoria, e há situações em que também não se percebe que isso não é necessariamente inovação. (Recordo que o meu ‘Plano do Chiado’ que atendeu o centro histórico como um todo arquitectónico foi atacado de pastiche” (sic).
3.
A vida do homem Siza Vieira é uma lição de superação permanente, de sabedoria humilde e de bondade para com o outro ser humano. Recordo com admiração respeitosa, os ensinamentos que tive o privilégio e usufruir e que em parte aqui partilho, a tenrura do seu olhar, e a beleza dos desenhos e palavras que nos continua a oferecer.
Porto, Junho de 2023
Gonçalo Furtado
5/30/23
abstract _ LNEC
"MODELAÇÃO DE COMPONENTES ARQUITECTÓNICOS ...
lnec.pt
http://www-ext.lnec.pt › pdf › Rev_22_A15
PDF
André Chaves*, Gonçalo Furtado**, Jorge Lino***. *Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto - Portugal. ** Faculdade de Arquitectura da ..."
5/29/23
NAPKINS | Inauguração no dia 02 de junho, às 18h
"Evento de Casa da Esquina
Casa da Esquina
Público · Qualquer pessoa dentro ou fora do Facebook
NAPKINS | Inauguração no dia 02 de junho, às 18h na @esquinacasada.
Napkins ou Guardanapos é nome de um conjunto de desenhos de Gonçalo Furtado.
Os desenhos consistem em registos rápidos de momentos do quotidiano, inscritos a linha e mancha, em suportes frágeis. Tratam-se de metáfora à efemeridade, à passagem do tempo, à expectância da espera. Seres humanos, gestos e afetos. Espaços, objetos e briquedos. Tudo em Coimbra, num período mediado em 2011 e 2022/23.
Gonçalo Furtado nasceu em 1974, e é autor de livros, eventos e exposições. Doutorou-se pela university college of london, e ensina na Faculdade da Universidade do Porto. Tem vivido entre o Porto e Coimbra desde 2011."
Arqchalllenge: Fotografias de Gonçalo Furtado
“Novas imagens em:
https://www.arqchallenge.pt/stock-images
New images at:
https://en.arqchallenge.pt/stock-images
Fotografias de Gonçalo Furtado
Photography by Gonçalo Furtado”
(in: https://www.facebook.com/photo?fbid=730812168800308&set=a.104498834764981&locale=pt_PT)
Archallenge: Edições
“Gonçalo M. Furtado
A SOBREVIVÊNCIA DA CIDADE PÓS-INDUSTRIAL: REDES, FLUXOS, BITS E CRIATIVIDADE
ASPECTOS PARA DEBATE CONTEMPORÂNEO
Editora: CENTRO DE INOVAÇÃO
Arquitectura e Modos de Habitar
O livro ‘A sobrevivência da cidade pós-industrial: redes, fluxos, bits e criatividade’, de Gonçalo Furtado, professor e investigador da FAUP, é editado pelo grupo de investigação Arquitectura e Modos de Habitar do Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo da FAUP.
Tendo a cidade como tema central, o livro revisita um conjunto de textos de Gonçalo Furtado ou em co-autoria com outros autores e é estruturado em cinco partes: o urbano e o debate teórico; após a cidade industrial; intervir na cidade do fim do século XX; a cidade no contexto pós-industrial; o urbano e a sociedade de informação.”
(In: https://www.arqchallenge.pt/edi%C3%A7%C3%B5es)
5/26/23
Exposição Napkins, Casa da Esquina, Coimbra, Junho 2023
“Napkins” constitui termo inglês, que se traduz como guardanapos. A escolha deste título para a série de desenhos exposta, remete para a fragilidade dos suportes físicos da maioria deles, bem como para espaços quotidianos, e a efemeridade desses momentos fixados.
Duas centenas de desenhos, feitas em pausas do dia, com traço rápido (maioritariamente a caneta) e aguada (maioritariamente de café).
Pela proximidade com a Casa da Esquina, que frequento desde 2019, ao longo de anos recentes alimentámos a ideia de expor alguns dos desenhos que acumulara desde 2011, bem como o título da exposição e, futuramente, de uma publicação.
Em 2023 decidimos concentrar a exposição em período posterior a 2018/2019, altura estranha da minha vida, em que o Covid paradoxalmente nos facultou imenso tempo, mas simultaneamente nos afastou daqueles que nos são mais queridos. Bastante desenhei entre 2019 e 2022, sedando as pausas do dia, como se de memórias expectantes se tratasse.
Inevitavelmente, aquando da concetualização da instalação da montagem da presente exposição na Casa da Esquina em Coimbra, sinto que vivi os ecos da conversa tida com os terceiros autores – José Gil e Ana Godinho Gil no Porto em 18.5.2023.
Gostaria de salientar alguns dos aspetos dessa importante referência que são estes filósofos, no que tange a temas como o Espaço, o Corpo e as Artes. Filósofos e referências que sinto não terem deixado de ecoar ainda aquando da minha montagem da presente exposição – espaço de liberdade, interior e de sensações, contra a ação de maquinarias que por vezes nos assaltam enquanto “sujeito”.
Gonçalo Furtado
Embora sempre tenha tido atração pelo desenho, a verdade é, até ao ingresso no ensino superior dediquei o meu tempo livre muito mais à música e fotografia.
No início dos anos 90s, aquando da licenciatura em arquitetura, fui mais ou menos obrigado a imergir-me nesse tipo de visão e relação com a realidade que é o desenho.
Na primeira década do século - absorvido pela academia, a escrita e a crítica para revistas (uma tríade) - retomei a fotografia (com minoxs e afins, polaroids, descaráveis, primeiras, pequenas digitais compactas e depois telemóveis) mas desenhei muito pouco.
A partir de 2011, voltei a desenhar para sedar muitas pausas do dia e depois como atividade com o meu filhote e como expressão artística pessoal.
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