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Course "Theory 1"_ Prof Gonçalo Furtado (Objectives and Program)

UC THEORY 1 Prof Gonçalo Furtado The objectives, skills and outcome of the learning process are: 1 - To make the student familiar with the subject of Architectural Theory, in its specificities as well as with the interactions it establishes with other fields (i.s. Design, History, Building, Planning) 2 - To make the student familiar with a sequence of theoretical movements, architectural languages and architecture' thinkers who left their mark in the developing of Architecture and in the field of Theory in particular. 3 - To develop general knowledge, critical capacity and personal interests that will support the student in his architectural practices and design experiences. "Theory 1" focuses on the theoretical developments of Architecture as a discipline, with special emphasis on the 20th century. Its contents include the followings subjects: 1 - Introduction 1.1 - Theory of Architecture I: Words and Constructions (Kruft etc) 1.2 - Theory of Architecture II: Prescribing and Questioning (Vitruvio, Alberti, Boullée, Le Duc, Semper et al) 2. 2.1 - Design and Modern Thought I: Genesis of a System (Fernandez etc) 2.2 - Design and Modern Thought II: "Revolution or Architecture?" (Corbusier et al) 2.3 - Portugal (1910-30s), Portugal (1930-40s). Theoretical debate. Protagonists, events, publications and relevant works. 2.4 - Theory of Modern Architecture 1: Instrumental Theory (Corbusier, Hitchcock, Johnson) 2.5 - Theory of Modern Architecture II: Modern Historiography (Pevsner, Kauffman, Giedion, Benevolo, Collins, Banham, Tafuri, Colquhoun, Goldaghen) 3. 3.1 - Design and Thought at the Post-War I: Reconstruction and Crisis (Team X, Jacobs, Mumford et al) 3.2 - Design and Thought at the Post-War II: New Goals (Zevi, Jones, Alexander et al) 3.3 - Theory and Architecture at the Post-War: Critic and Influences (Adorno, Marcuse, Benjamim et al) 3.6 - Theory of Architecture at the Post-War II: Perception and Reception in Architecture (Panovski, Wittkower e Gombrich, Rogers, Heidegger, Bachelard, Norberg-Schulz et al) 3.5 - Portugal (1950s), Portugal (1960s). Theoretical debate. Protagonists, events, publications and relevant works. 3.6 - Theory of Architecture at the Post-War III: Mediatization and Orientations (Benevolo, Banham, Colomina etc) 3.7 - Design and Thought at the Post-War III: Critical Activism (Drexel, Banham, Maki, Price, Friedman, Debord etc) 4. 4.1 - Theory of Architecture at the Post-War IV: Language and Structure (Sausurre, Pierce, Aymonino, Grassi, Moneo, Rykwert, Rapopport et al) 4.2 - Theory of Architecture at the Post-War: Structure and Shape (Rossi, Venturi, Rowe) 4.3 - Theory of Architecture at the Post-War VI: Autonomy and Conventions (IAUS, Tafuri, Rudofsky) 5. 5.1 - Design and Thought in PostModernism I: Quoting and permeability (Jencks, Venturi, Krier, Moore, Portoghesi) 5.2 - Theory of PostModern Architecture I: Micro-narratives and Spectacle (Lyotard, etc) 5.3 - Design and Thought in PostModernism II: Confronting and Resisting (Frampton, Koolhaas, New Urbanism et al) 5.4 - Portugal (1970s), Portugal (1980s). Theoretical debate. Protagonists, events, publications and relevant works. 5.5 - Theory of PostModernism Architecture II: Interpretation and Exteriors (Foucault, Derrida, Deleuze; Oppositions, Any, Assemblage) 5.6 - Design and Thought in PostModernism III: Tension and Transgression (Wigley, Eisenman, Tschumi) 6. 6.1 - Theory of Contemporary Architecture I: Transitoriness (Baudrilhard, Jameson, Virilio, Lipovetsky etc) 6.3 - Contemporaneous Design and Thought I: Desfragmentation (Lynn etc) 6.4 - Design and Thought in PostModernism II: Critical-Project (Furtado) 6.5 - Contemporaneous Design and Thought II: Challenges (Oporto School) 6.6 - Portugal (1910-30s), Portugal (1930-40s). Theoretical debate. Protagonists, events, publications and relevant works. 6.7 - Theory of Contemporary Architecture III: References (Solà-Morales, Landau, Batty et al) 6.8 - Contemporaneous Design and Thought III: Recent Experiments (Novak, Lynn, Spiller, Frazer etc) 7 7.1- Contemporaneous Design and Thought IV: Challenges and future (e.g. Sustainability, postcolonialism, gender, research, collaborative design-AI, etc.

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Escola do Porto: Notas dispersas IX (por Gonçalo Furtado)

4.1. – Sobre Álvaro Siza Vieira (aquando celebração do seu 90º aniversário). / “Da sabedoria humilde: Memória de conversas com Álvaro Siza Vieira” Gonçalo Furtado, Coimbra, Junho 2023 / I. Álvaro Siza Veira é autor de uma obra impactante internacionalmente, de um método projectual incansável inspirador da “escola do porto”, de um desenho intenso e de uma escrita bela. Para além disso, é um homem generoso, abrangente e aberto, uma sábio humilde. A sua influência é ímpar para a visibilidade internacional da arquitectura portuguesa e para as gerações de arquitectos dos últimos 60 anos. / Ana Silva e Bárbara Silva encontram-se a organizar um exposição na galeria Note que“… seja uma celebração dos 90 anos de Álvaro Siza Vieira e a partir de uma reflexão conjunta do que aprendemos com a sua obra (email de Silva, 30.5.2023). / Recordo uma continuidade e multiplicidade de situações de aprendizagens. Um primeiro cruzamento na rua da Alegria, a sua aula magistral para TGOE, a sua 1ª cozinha em casa do Salgado, uma conferência sobre o Chiado, a publicação de início os 90s, a conversa televisiva com Manuel G. Dias, visita a obras na Holanda e Veneza, a vivência dos espaços da FAUP e feedback amável pelo arquitecto a uma dissertação que orientava, a frequência do atelier do Alvarinho, um par de conversas partilhadas de cigarros no seu atelier, e a tarde tranquila passada a ouvi-lo na sua nova casa. / A extensão disponível para o presente texto não permite escrever todas as situações, pelo que desejo partilhar apenas o último par dessas ocorrido há 20 anos. / ii. Na altura deslocara-me ao outro lado do atlântico para conferências na Pontifícia Universidad Javeriana de Bogotá. A chegada fora marcada pelo encontro com o director Álvaro Botero, que era surpreendentemente parecido com o nosso herói português, e que me pediu que entregasse um par de fotografias deles num workshop de projecto de habitação social ocorrido em Los Andes nos anos 70. Recordo-me do sorriso esboçado pelo Siza no seu escritório, as suas memórias e a humildade com que solicitou um telefonema ao congénere com quem algures se cruzara para agradecer a foto. Mas mais, as palavras bondosas que me privilegiou ouvir nas horas seguintes acerca da importância da habitação social, da dedicação que lhe conferiu em Portugal e noutros países, e sobre África (penso que Cabo Verde). Impressionou-me como, entre cigarros partilhados, todas as suas palavras focavam, não em soluções formais, mas em primados sociais e preocupações com o ser humano. / iii. Por altura do meu comissariado da exposição “Tracing Portugal” na AA com apoio da Gulbenkian, tive igualmente o privilégio de usufruir do conhecimento e conselhos sábios do arquitecto maior português, entre caixotes da nova casa para onde então se mudara. / Num primeiro momento, propus o mote da Arquitectura Portuguesa sobe o prisma da “Continuidade e ruptura”, e recebi uma sequência de esclarecimentos: / Sobre a modernidade portuguesa e Távora: a influência desse “arquitecto invulgar”, a abertura que levou à “revisão do moderno” e a aproximação “dos arquitectos e população” no pós-revolução - “São percursos diferentes…, a influência no meu trabalho da arquitectura vernacular é muito menos directa e pura. O que se transmitiu foi uma atitude de ‘continuidade’ que questionou um latente espírito de conservadorismo que não convida o que é novo” (sic). / Sobre o “norte e o sul”, apesar da existência de diferentes circunstâncias: “a dicotomia Lisboa-Porto é mais um invento, apenas vinda das própria realidade da produção” (sic). / Sobre o mito das escolas: “Existiu nos anos 50/60 uma escola que melhor conseguiu contornar o aperto das pressões. Não vejo muito sentido usar o termo escola [do porto] depois, é fonte de equívocos e algum elitismo” (sic). / Sobre o contexto pós-revolução e anos 80s: “A grande diferença pós 25 de Abril foi a dedscentralização da presença dos arquitectos para além de Lisboa e Porto…. Observo uma destruição generalizada do território. Que vale uma obra de arquitectura num território delapidado? Penso que se trata de um aspecto que não está tomado à escala devida pela muita pequenez que há na política” (sic). / Sobre a crítica de arquitectura e o “Regionalismo crítico”: “Falando de Frampton, acho que a sua obra como crítico é de uma ‘continuidade’…. Quanto ao termo ‘regionalismo crítico’… tenho ideia de ter dito uma vez que era uma termo inconveniente…, ressalta o regionalismo” (sic). / Sobre a questão (muito pós-moderna) da “autoria”: “Há um desentendimento do que é a palavra ‘autoria’, porque no fundo há uma complementaridade do que é a intenção pessoal ou de grupo e os meios possíveis. Sempre houve foi historicamente uma tensão e luta ideológica” (sic). / Sobre a(s) postura(s) pós-modernas: “Hoje já não se fala no sentido superficial de estilo em pós-modernismo…, as denominações são redutoras ainda que necessárias” (sic). / Num segundo momento da conversa, propus focarmos o comissariado que eu tinha em mãos bem como sobre a contemporaneidade e o sentido da arquitectura; tendo recebido generosos conselhos e partilha. / Sobre a reflexão que empreendia em redor da exposição sob o título “Continuidade e ruptura”: “Como é natural não é tudo rupturas e continuidade legíveis aqui e ali…. Numa exposição de gente nova são importantes muitos aspectos; como contar com a sua dificuldade de aceder ao trabalho….. Os arquitectos já são reconhecidos e trabalham em todo o país, mas há muito mais dificuldade, muito mais burocracia e formalismo…. Há realmente condições, a tal abertura à informação, mobilidade etc. Mas em Portugal há uma coisa que é a desordem do território e que afecta a arquitectura…. Uma exposição organizada assim representa uma escolha e balanço do que se está a produzir. Tem valor documental e será também desencadeadora de debate” (sic). / Sobre experiências de proximidade Arquitectura e Arte: “Agora está a acontecer, e é curioso como há muitos artistas a aproximarem-se da Arquitectura. Parece-me um aspecto positivo e que se opõe à tendência de total especialização…. Penso muitas vezes no surgimento de uma abertura, de relacionamento, rompendo com esse espírito terrível da especialização…. Num campo tão vasto haverá especialização, mas vejo que o desafio é o relacionamento e complementaridade em curso” (sic). / Sobre a contemporaneidade e o tempo: “Hoje apreciamos tudo sujeito a essa vertigem do imediato, mas o tempo é o arquitecto, o tempo trabalha muito e cada vez se aceita menos a sua existência e importância. Tudo é mais intenso na vida contemporânea” (sic). / Por fim , perguntei eu ao mestre sobre o sentido da Arquitectura: “Se pensarmos na vida de um arquitecto e os seus tempos de institucionalização, as gerações que exponho são muito jovens. Após uma vida e a notabilidade que esta lhe conferiu, para que é que lhe parece que serve a arquitectura e porque é que faz arquitectura?”. Rematou Siza Vieira: “Em princípio faz-se para a pessoas viverem melhor… ou às vezes pior não é? (risos). Por outro lado, o interesse por construir faz parte da natureza humana e suas necessidades, concentrando-se em pessoas que são insubstituíveis para isso.… Se calhar em cada arquitecto existe o desejo que não fosse necessário arquitectura. Mas, por exemplo, aqui há uma ânsia de construir no centro histórico e não é necessário…. (Há pouco falávamos de autoria, e há situações em que também não se percebe que isso não é necessariamente inovação. (Recordo que o meu ‘Plano do Chiado’ que atendeu o centro histórico como um todo arquitectónico foi atacado de pastiche” (sic). / iv. A vida do homem Siza Vieira é uma lição de superação permanente, de sabedoria humilde e de bondade para com o outro ser humano. Recordo com admiração respeitosa, os

Escola do Porto: Notas dispersas _ VIII (por Gonçalo Futado

4 - Escritos fora da pandemia (2023).   4.2 – Sota Fernando Távora e Siza. / “Continuidade e ruptura na arquitectura de Távora e Siza”, Gonçalo Furtado, Escola do Porto, 1995-1998, (trabalho académicos). / Muitos são os que têm divagado sobre uma alegada identidade da arquitectura portuguesa. A arquitectura portuguesa é historicamente, uma sequência de continuidades e rupturas. Incuso no que tange à sua primeira modernidade, interrompida e reiteradamente retomada. Já a internacionalização da arquitectura portuguesa é fenómeno parco. No século XX, só pontualmente se projectara em algumas exposições internacionais e apenas ocorrera divulgação de alguns arquitectos durante o Estado novo após 1933. / Os princípios da arquitectura do movimento moderno foram em determinado momento postos em causa. Mesmo dentro do próprio CIAM, onde se reivindicou uma reaproximação à realidade, com a criação do Team X e um reorientação dos mestres do movimento moderno racional, que foi igualmente responsável pela ultrapassagem do mesmo. / Para isso contribuíram diversos fenómenos. A influência do neorealismo italiano (que procurava, de certa forma, determinado contextualismo) e uma nova concepção do espaço (como produto dos contributos de Zevi, Bachellard etc), a perplexidade perante a obra fundamentalmente de Wright e Aalto, mas principalmente a realização do “Inquérito à arquitectura popular” com que se ganha consciência/admiração pela realidade portuguesa. Sendo que é a problemática dual moderno/tradicional, no seio do campo da arquitectura, prolongar-se-á até aos finais dos anos 60. / A procura de uma terceira via, reflectiu-se nas intervenções, algo híbridas e revolucionárias para então, de Fernando Távora. Em grande medida, a “casa de ofir” sintetizou as incertezas e preocupações de então: funcionalista na clareza das funções, orgânica na relação com o terreno, o betão de Corbusier com a cobertura de Wright, e a forte determinação pela arquitectura popular. As obras seguintes, embora igualmente modestas, continuaram a possuir este significado - a difícil tentativa de síntese de diversos e opostos. Um impasse só resolvido eventualmente pela “escola do cedro” de 1958. Sendo que Távora possuía uma vontade verdadeiramente integradora, que reconhecera a condição diversa da disciplina. / Também no nosso entendimento, estas obras são o ponto de partida para a investigação exaustiva que realizará o então colaborador de Távora, Álvaro Siza Vieira. Na sua primeira obra - um conjunto de 4 habitações - tal como nas que se seguem, é bastante clara a influência do percurso traçado por Távora. O arquitecto Siza Vieira parte da consciência da especificidade portuguesa conquistada por esse. E assim age, esclarecendo que uma aparente diminuição/deficiência tecnológica pode ser elevada a um desenho rigoroso. / É assim, que se origina uma arquitectura de linguagem mimética, de grande sobriedade e economia de meios, mas que no essencial torna-se possível, com o seu descomplexamento, definir um novo método projectual para a arquitectura do norte e portugal. Podemos dizer que o caminho de Távora e Siza justificam uma maneira de pensar e fazer arquitectura, um método e uma produção. A produção arquitectónica do porto, frequentemente tida como “marginal” ou “periférica” - ideia em que não concorremos - embora enraizada profundamente na prática da arquitectura moderna, parte do entendimento dos seus recursos e reconhecimento da sua tradição e, por isso mesmo, fundamenta-se numa atitude de contenção, economia, integração e de rupturas em continuidade. /  

Escola do Porto: Notas dispersas _ VII (por Gonçalo Furtado)

3 - Escritos durante o 2º confinamento (2020). /   3.1. – Breve nota sobre Nuno Portas (2020). / Notas a propósito de Nuno Portas, bem como da Escola do Porto” (em tempos de Covidis) Gonçalo Furtado, Escola do Porto, Dezembro 2020. / i. Entre as primeiras construções de arquitectura modernas encontra-se o IST de Pardal Monteiro (30/40s), notável centro da engenharia portuguesa, como cresci a ouvir o meu pai dizer. É no mesmo contexto Lisboeta, que operava o LNEC - Laboratório Nacional de Engenharia Civil - um dos centros cruciais da ciência nacional, ainda que tenha surgido polo no Porto. LNEC e IST estes que refletirão, entre o pós-guerra e os anos 60/70 avanço rumo á integração do novo mundo da computação, e sua história que deambulará entre o que podemos denominar por IA e SOC./ ii. Já no domínio da crítica de Arquiectura, Nuno Portas emerge como figura crucial; e nos 60s, as problemáticas teórico-críticas nacionais recentraram-se nas metodologias de projecto, respondem às necessidades habitacionais etc. / Salientar que Portas viria a ser acolhido como investigador "oficial" do LNEC, ainda que fosse uma figura proveniente da arquitectura (área então sem grande reputação em termos de investigação "cientifica"), numa altura em que o próprio detinha já protagonismo como professor bem como crítico de arquitectura e outras áreas em publicações da especialidade. / Portas integrará ainda o 1º governo provisório, e conceptualizará o SAAL - Sistema ambulatório de apoio local - como programa de habitação social visando resposta à carência no período pós-democrático (No LNEC saliente-se ainda a contribuição do então estagiário arquitecto Alexandre Alves Costa, que viria a assumir na Porto também papel no seio do SAAL). SAAL cuja importância de resto, diga-se em conjunto com a singularidade do portuense Álvaro Siza Vieira, seria motor crucial também para a visibilidade internacional que a arquitectura portuguesa hoje possui internacionalmente'. / iii. Já o relevo da investigação de Portas dos anos 60/70, esse centra-se no original cruzamento na cultura arquitetónica (pelo menos) nacional, isto é, de uma linha de pensamento marcada pelo reforço do papel do arquitecto desde a resposta a habitação do pós-guerra, e as preocupações sociais dos anos 60/70 (recordando que Portas contactava com o círculo da nova 'sociologia' nacional de então); com os enfoque na metodologia de projecto (os “design methods” do mundo anglo-saxónico etc) e das promessas da computação. Protagonismo que se ampliou ao longo da vida, numa multiplicidade de enfoques rumo a uma maior conceptualização/desmaterialização/despersonalização - que vão da crítica de arquitectura e promoção de arquitectos singulares desde os 50s; à habitação evolutiva e métodos/metaprojecto dos 60/70s; ao urbanismo e regulamentação entre os anos 70/90s; até à condução do conselho científico da Escola do Porto, onde, até à sua jubilação, não deixou de também revelar a sua inteligência (veja-se a sequência de planos de estudos...). / iv. Podemos dizer que hoje a pandemia/confinamento, implicou uma reconfiguração espaço-funcional do doméstico que justifica investigação. O pretexto não será hoje perseguir low-costhousing, mas antes reconfigured housing interiores'. Numa altura em que nos afastámos da carência dos anos 60/70, da especulação pós-moderna das décadas seguintes, urgem agora reflexão sobre a domesticidade contemporânea e novos modos de habitar. Já no que á Escola do Porto se refere, o confinamento, simultaneamente legitima um certo vazio do silêncio, quiçá o reivindicar de algum impulso transformador (após uma antecedente década de ascetismo branco), mas seguramente a necessidade de uma re-credibilização em tempos congelamentos de progressão, obrigatoriedade de avaliações anuais, repartições de poder, acenar de desconhecidos, e um futuro incerto. Acrescendo a 4 pequenos textos escritos durante a Pandemia - sobre Alexandre Alves Costa, Manuel Correia Fernandes, Domingos Tavares e Francisco Barata - cumpria-me agora (com o presente início da "vacinação") o presente apontamento sobre o protagonista Nuno Portas. /

Escola do Porto: Notas dispersas _ VI (por Gonçalo Furtado

  2.5 – Sobre Francisco Barata (Director da escola do Porto entre 2006 e 2014). / Transformação e permanências: Uma sugestão de leitura a pedido da Livraria da AEFAUP. Gonçalo Furtado, Escola do Porto, Março de 2020. No Verão de 2018, sai da auto-estrada, perdi-me no meio de uma paisagem suburbana desqualificada enquanto tentava estacionar abalado pela notícia de que o Francisco partira. Telefonei a amigos comuns, quis voltar para trás. “O Francisco amava a escola, defendia-a como poucos”, como o Sérgio me recordava há poucas semanas. Encarnava uma ideia de escola e para a escola com que, frequentemente concordei, e por vezes discordei. Uma ideia que nos faz e fará falta. Tinha uma perspectiva humanista da arquitectura, da temporalidade da arquitectura, bem como do tempo da vida e dos homens. / i. Francisco José Barata Fernandes nasceu, em 1950, no Porto. Formou-se em arquitectura da ESBAP (1975), empreendeu investigação em Itália sobre “Política de desenvolvimento urbano e recuperação de centros antigos” (1984-85, orientado pela Faculdade de Arquitetura do Politécnico de Milão) e doutorou-se em 1997. / Lecionou disciplinas variadas, do projecto à teoria, do planeamento ao património. / Recordo-me da boa música, luz e whisky com que acompanhou um par de conversas na sua sala, de como estava feliz quando me mostrou o seu novo atelier, do dia em 2008 em que me convidou para montar o programa de Teoria para o segundo ano, dos dois anos em que não falámos, e de como voltámos a falar, primeiro de arquitectura e da escola e, novamente, de tudo. Mas muitos, como Hélder Casal Ribeiro, Madalena Pinto, Rui Póvoas, etc, dele melhor nos poderão falar. / ii. Como arquitecto abordou múltiplos programas (habitacional, equipamentos, espaço público) de onde saliento a qualidade de várias obras de rehabilitacão. A saber: o conjunto habitacional da Cooperativa de Massarelos (1995), Museu-Castelo de Santa Maria da Feira (1995-2006), a Praça da Cadeia da Relação (Porto 2001), o PP da marginal ribeirinha de São Paio de Canidelo em Gaia (2004), a Escola Emídio Navarro em Viseu (2009-2011), a Quinta do Prado em Celorico de Basto (2010-2011), bem como o projecto do conjunto de equipamentos no Pátio de São Miguel de Évora (2011-2014) ou do Turismo rural da Quinta de Sande em Guimarães (2017). / Como arquitecto abordou múltiplos programas (habitacional, equipamentos, espaço público) de onde saliento a qualidade de várias obras de rehabilitacão. A saber: o conjunto habitacional da Cooperativa de Massarelos (1995), Museu-Castelo de Santa Maria da Feira (1995-2006), a Praça da Cadeia da Relação (Porto 2001), o PP da marginal ribeirinha de São Paio de Canidelo em Gaia (2004), a Escola Emídio Navarro em Viseu (2009-2011), a Quinta do Prado em Celorico de Basto (2010-2011), bem como o projecto do conjunto de equipamentos no Pátio de São Miguel de Évora (2011-2014) ou do Turismo rural da Quinta de Sande em Guimarães (2017). / Uma obra caracterizada por abordagem metodológica que o seu escritório “B+B” (em parceria com Francisco e Manuel) sintetizou nos seguintes termos: “Projectamos arquitectura através do desenho da Luz (espaço), do Silêncio (programa) e da Gravidade (construção)… Damos especial atenção ao lugar, à história e às pré-existências, aliados à permanente pesquisa arquitectónica com avaliação crítica e experimental. Pretendemos estabelecer uma relação coerente entre obra e lugar, garantindo a preservação da sua identidade patrimonial e contribuindo, com novas intervenções, para a reabilitação das áreas desqualificadas. Na resposta a diferentes programas e clientes e na criação/inovação de projectos úteis à sociedade, valorizamos a colaboração entre arquitectura e outras disciplinas do conhecimento”. (vd. Website) / iii. Em 2008, a FAUP - que cumpre o actualmente o seu 40º aniversário - adaptou-se a Bolonha, estruturando os seus planos de estudos em três ciclos (incl. licenciatura cumprindo 180 créditos após 3 anos, seguido do mestrado integrado/mestrado requerido para a prática profissional neste país). Em 2008, Francisco permitiu-me organizar um Contemporary Architectural Challenges, envolvendo múltiplos protagonistas nacionais e internacionais do debate arquitectónico, bem como cooperar com o Wien Institute of History na concretização de exposição e livro. E etc. A outros, permitiu criteriosamente condições para muitas outras coisas. Em 2009, a Universidade do Porto tornou-se numa instituição de ensino público de cariz fundacional (DL 96/2009 de 27 Abril). A nossa “UP” que consiste hoje numa comunidade com cerca de 30 000 estudantes e 2000 professores. Como director, Francisco deu um contributo decisivo para a institucionalização universitária da Faculdade de Arquitectura no seio da UP. / Em 2010, Álvaro Siza Viera - que muito antes do Pritzker de 1992 já se constituíra como inspiração máxima da escola do porto - continuou a ser premiado: Com o “Prémio LusoEspanhol de Arte e Cultura” (2012), o “Leão de Ouro” “for lifetime achievement da Bienal de Arquitectura de Veneza, o "Prémio vida e obra" da Sociedade Portuguesa de Autores ” (2015) ou, mais recentemente, com o “Prémio Nacional de Arquitectura Espanhol” (2019). Em 2011, Eduardo Souto de Moura tornou-se no segundo prémio “Pritzker” português, fazendo da escola do porto, provavelmente, a única escola no mundo com dois “Pritzkers”. / "O Francisco amava esta escola, e poucos como ele a defendiam". / iv. Cumpre recordar que este Francisco que defendia a escola, era detentor tanto de uma cultura teórica portuguesa como italiana, tendo actuado como Professor visitante Internacional do Mestrado em Arquitectura da Universidade de Bolonha. E não deixou de ter entre os seus focos de estudo a cultura inglesa que, como sabido, em vários momentos divergiu teoricamente da Italiana. Em 2017, a Universidade (curiosamente) de Bolonha organizou a exposição “Francisco Barata. Continuar Inovando”. A exposição recentemente comissariada na FAUP (2020), pela ex-colaboradora Carla Garrido e colega Mariana Sá, constituiu uma justa homenagem ao seu nome e obra. A notícia de um doutoramento dedicado à sua obra por colega, decerto o expandirá. Retenha-se a memória tanto da delicadeza do seu traço, como do seu apontamento enigmático acerca do pilar da escola do porto Álvaro Siza Vieira. / Tendo sido requerido pela Livraria da AEFAUP para endereçar aos estudantes uma sugestão de leitura - num tempo de “Isolamento” e de desafiante “contemporary challenge” acerca do “tele-ensino” - não podia senão referenciar o seu livro “Transformação e Permanência na Habitação Portuense: As Formas da Casa na Forma da Cidade” (FAUP Publicações, Porto, 1999). Nele os alunos aprenderão acerca da influência georgiana na morfotipologia urbana da cidade do Porto burguesa do século XIX. Aprenderão com a influência simultaneamente portuguesa, italiana, e objecto de estudo “inglês”, que marcou o pensamento do Francisco sobre a arquitectura e a vida. Aprenderão sobre “transformação”, mas também sobre “permanências”. E, assim, melhor reflectirão neste excepcional momento que vivemos, sobre as temporalidades da arquitectura, a escola, a vida e os bons homens com que nessa nos cruzamos. /  

Escola do Porto: Notas dispersas V (por Gonçalo Furtado)

2.4 - Sobre Domingos Tavares (Director da Escola do Porto entre 1998 e 2006). / “Domingos Tavares: A escola do Porto na transição para o século XXI”. Gonçalo Furtado, Escola do Porto, 4 de Abril de 2020 / i, Este texto de sugestão de leituras poder-se-ia chamar “informalidade da (ou na) Escola do Porto: Escritas sobre teorias de projecto e outras arquitecturas”. Seria quiçá mais consonante com a informalidade do autor em causa ou do seu foco de interesse, mas quero querer que poderia confundir aqueles que, por desatenção ou inveja, confundissem uma genuína e generosa informalidade com a inteligência, vastidão de conhecimento e grande eloquência que está por detrás do autor/professor. / ii. Domingos Manuel Campelo Tavares (n.1939), nascido em Ovar, contou-me que era dos que “vieram de fora para o Porto” com o intuito de estudar arquitectura, e como depois ingressou na escola mal terminou o curso (1973), a convite endereçado por Fernando Távora “no meio das escadas, para dar umas aulas”.[1] Entregou-se arquitectónica e politicamente á escola e á cidade, participando numa das duas “listas” por altura das “Bases gerais”, numa das brigadas do “SAAL” centrais do Porto com Siza (1974-76), na comissão instaladora da FAUP (1979-1984) e subsequente na comissão de acompanhamento do programa e projecto das instalações da Faculdade (1980s-90s). Na transição do século, assumiu a direcção da escola pré-Bolonha (1998-2006) recordo-me que por sugestão/pedido de Nuno Portas, por altura de uma reunião na casa cor de rosa que integrei como aluno. Num primeiro mandato, teve Rui Braz ao seu lado, depois um problema de saúde que disfarçou entre idas ao bar e á fisioterapia, e depois o Madureira. Generosamente, contribuiu ainda para a criação de outros filhos da escola do porto, os cursos públicos de arquitectura da Universidade de Coimbra e da Universidade do Minho. / Se no ensino da escola do porto, sempre parece ter assumido especial centralidade a área denominada por “Arquitectura” (que inclui as sub-áreas do Projecto, Teoria e História), podemos sumariar que ao longo da sua carreira lecionou em todas essas. Pessoalmente recordo-me das suas aulas de Teoria do 3º ano (1995-96). Outros ex-alunos, colegas e funcionários o recordarão de outras formas, em comum retendo a memória de alguém humano, afável e pragmático, mas acutilantemente inteligente e institucionalmente tão informal quanto rigoroso. Fernando Lisboa, que por esse professor fora orientado em provas de licenciatura e doutoramento (dois documentos ímpares), tinha-lhe o maior respeito intelectual e pessoal, contando que, incluso, este tivera o cuidado de o procurar quando se 'exilou' no Egipto. De uma geração intermédia, também Nuno Brandão, contava-me há dias como esse professor marcara o seu percurso formativo e de como entrou para a escola para ser, não professor de projecto, mas assistente do professor Domingos Tavares. Como concordámos, na escola do Porto, em todos as preditas colunas, ensina-se tão só arquitectura, mediante metodologias semelhantes, usufruindo do conhecimento os regentes vão sendo capazes de sedimentar e imprimir às várias matérias. / ii. Domingos Tavares focou-se no ensino da Teoria e História, quando necessário, dando o exemplo de contenção (ao assumir o ensino praticamente sem assistentes), gerando um programa que constitui um legado da escola do porto que José Miguel Rodrigues reproduz. Domingos Tavares esteve também, conjuntamente com Alves Costa, José Miguel e Rui Ramos, na génese do 3º ciclo da FAUP (PDA de 2008). Com honra, acedi sempre ao seu convite para o acompanhar nas apresentações que ocorriam na disciplina de Projecto de tese que conduzia. / Exemplar, também, é a sua obra escrita ao longo de mais de quatro décadas. Obra que não podia ser humanamente mais extensa do que se tem tornado, e que envolveu, sobretudo desde 2003, uma intensa investigação, em locais distantes que vão da sua terra-natal à University College of London onde me recordo da sua visita à procura de um qualquer livro difícil de aceder (2005- 2006). Obra caracterizada pela diversidade, títulos apelativos, clareza de exposição e cuidado gráfico, que vai das suas provas académicas, a aulas de história da arquitectura moderna, até temas algo exóticos (tipo casa dos brasileiros, engenheiros, arquitectos-municipais e afins) que questionam - como se espera de uma esquerda bondosa - um certo elitismo arquitectónico que é frequentemente promovido pela escola. Também essa ideia defendeu na aula aberta que deu há um par de anos aos alunos de Teoria 1. Um alerta sábio. As preditas provas académicas incluem “Da Rua formosa à Firmesa” (edição de autor, reeditada pela ESBAP em 1985) e "Miguel Ângelo: A aprendizagem da Arquitectura" (FAUPpublicações, 2002). As sebentas de história incluem mais de vinte aulas, a estudar: “Filippo Brunelleschi: O arquitecto” (Dafne, 2003), “Balthasar Neumann: O último arquitecto barroco” (Dafne, 2003), “Leon Battista Alberti: Teoria da arquitectura” (Dafne, 2004), “Francesco Borromini: Dinâmicas da arquitectura” (Dafne, 2004), “Philibert Delorme: Profissão de arquitecto” (Dafne, 2004), “Inigo Jones: Classicismo inglês” (Dafne, 2005); “Juan de Herrera: Disciplina na arquitectura” (Dafne, 2005), “António Francisco Lisboa: Classicismo no Novo Mundo” (Dafne, 2006), “António Rodrigues: Renascimento em Portugal” (com colaboração do João Pedro Xavier, Dafne, 2007), “Bernardo Rosselino: Desenho urbano” (Dafne, 2007), “Donato Bramante: Arquitectura da ilusão” (Dafne, 2007), “Louis Le Vau: A dimensão do infinito” (Dafne, 2008), “Andrea Palladio: A grande Roma” (Dafne, 2008), “Pietro Lombardo: Renascimento no Norte” (Dafne, 2009), “Biagio Rossetti: Urbanismo renascentista” (Dafne, 2009), “Guarino Guarini:Geometrias arquitectónicas” (Dafne, 2010), “John Nash: Arquitectura urbana” (Dafne, 2010), “Claude-Nicolas Ledoux: Formas do iluminismo” (Dafne, 2011), “Jan Van Eyck:Representação do espaço real” (Dafne, 2011), “Michelangelo: Aprendizagem da arquitectura” (Dafne, 2012), “Giulio Romano: A terceira maneira” (Dafne, 2012), “Sebastião Serlio: Tratadismo normativo” (2013), “António Averlino Filarete: A cidade ideal” (Dafne, 2014). Já as demais interpelações sobre a prática profissional incluem: “Francisco Farinhas: Realismo moderno” (Dafne, 2007), “Palacete Marques Gomes” (Dafne, 2015), “Casas de Brasileiro: Erudito e popular na arquitectura dos torna-viagem” (Dafne, 2015), “António Correia da Silva: Arquitecto municipal” (Dafne, 2016), “Transformações na Arquitectura Portuense: O caso António da Silva” (2017),“Casas na Duna: O Chalé do Matos e os palheiros do Furadouro” (2018), “Casa São Roque: O Gestor e o Arquitecto” (em co-autoria, 2019) ou “André Soares: Arquitecto tardo-barroco” (2020). / iii. Da sua prática profissional salientam-se obras como habitações em Ovar (1967-77), o Lar de Santiago em Viana do Castelo ((1977-82), o conjunto habitacional em Esmoriz (1989-92), a Biblioteca da Escola de Engenharia no Instituto Politécnico de Coimbra, o lote habitacional que possui na Rua do Breyner e uma casa de banho que fez (sabendo que não devia) para uma senhora de idade algures. Em co-autoria e no âmbito do CEAU, projectou ainda a Faculdade de medicina dentária da Universidade do Porto (1997). / iv O professor Domingos Tavares, jubilou-se em 2010, dando uma “última” aula intitulada "Alma perdida”, que acabou obviamente por não ser a última atendendo que a título gracioso e voluntário continuou sempre a contribuir com a sua presença na pós-graduação da escola. Ou na aula referida aula aberta de Teoria 1 muito recentemente. Hoje, Domingos Tavares continua a dar a muitos o privilégio de nos receber em sua casa, com a mesma informalidade com que o via por casa há 25 anos quando escrevia o manifesto da Unidade 5 com o seu filho André, como quando no final dos anos 90 me permitiu na qualidade de co-supervisor de estágio (Bolsa Prodep) abandonar o escritório de Carrilho da Graça para poder ser monitor na escola, ou como conversava comigo e com o meu irmão sobre a “Histórias da cidade do Porto” na Universidade Aberta (2004?). A meu ver, Domingos Tavares olhou sempre a Arquitectura e sua historicidade de forma prospectiva, como revela as palavras que, de uma penada (literalmente em 10 minutos), escreveu para prefácio de um policopiado intitulado “arquitectura prótese do corpo”: / “O progresso e a descoberta resultam da inquietude constante do homem e a inquietude é fruto do desejo de melhor compreender não só o que nos rodeia mas o que, de entre o que nos rodeia, constitui suporte para melhor viver, para dar mais sentido ao nosso fazer, para criar convicção quanto ao sentido da construção da vida colectiva. A Arquitectura também se constrói no espírito dos arquitectos, cuja ambição é entender a utilidade do seu trabalho na configuração do mundo quotidiano, atendendo aos instrumentos disponíveis que melhor servem esses objectivos. E é particularmente este um tempo propicio à criação de um conjunto de ferramentas para o pensar e para ao agir que, quiçá, contribuirão para a mudança e para uma vida mais à medida dos nossos desejos. (…) Desenham-se à nossa frente novos instrumentos saídos do avanço do pensamento, da ciência e da técnica e que, a qualquer momento, podem estar na origem de mais um salto metodológico que confira à arquitectura uma outra capacidade e dimensão que seja capaz de melhorar o mundo. Não o podemos afirmar hoje, não sabemos se temos entre mãos um desses momentos mágicos. Nem é importante que o saibamos. Mas é nossa responsabilidade cumprir as tarefas da atenção e do interesse e por tudo o que é ensaio, reflexão e proposta, com o sentido critico e lucidez que formos capazes de possuir para que se consuma o progresso”. (2000) / Tais palavras ressoam num momento em que a escola experimenta, pela primeira vez, o inevitável desafio de assegurar o ensino à distância aos arquitectos de amanhã. Em 2003, Domingos Tavares e (o padrinho) Siza Viera, haviam estado presentes na atribuição do Doutoramento Honoris Causa a Vitorrio Gregotti pela UP, figura incontornável para a divulgação internacional da nossa escola do Porto. Como anunciado pelo André no Publico há dias, tratou-se da primeira vítima notável “arquitectónica” do Covid 19.[2] Um alerta para o quão efémera é a vida nestes nosso corpos frágeis, mas quão belos são as palavras dos pais da escola do Porto, cuja pujança é nossa responsabilidade assegurar. Palavras e aulas que Domingos Tavares tem, arduamente, desde 2003, querido nos deixar registadas, nunca se acomodando, e que prosseguem em volumes produzidos paulatinamente, um após o outro, desde a sua “última aula” há já uma década. Impedindo-nos de ousar sentir saudade. Aproveitemos agora nós, excolegas e alunos, para, também desde nossas casa, as ler. O tempo da quarentena decerto não chegará para terminarmos a aprendizagem destes ensinamentos que nos faz através do livros que humildemente acima vos sugeri. / Referências: [1] Conversa gravada, Porto, 2020. [2] André Tavares, …, in: Público, 15 ou 16 de Março de 2020, p. /